Pular para o conteúdo principal

10 Formas de Me Perder (09/11/2025)

1. Me perde quando pesa o que era pra ser leve,
quando transforma um sorriso em pressão,
um gesto em cobrança,
um instante em asfixia.

2. Me perde quando cala o que sente
mas me obriga a adivinhar.
Eu não vim pra decifrar enigmas,
quero viver o que flui.

3. Me perde quando complica o simples,
quando o amor precisa de manual,
quando o carinho precisa ser justificado.

4. Me perde quando confunde entrega com sufocamento,
leveza com medo,
e espontaneidade com obrigação.

5. Me perde quando se defende de mim
como se eu fosse o perigo.
Quando cria muros onde só havia abrigo.

6. Me perde quando pede pra eu ser menos
menos intensa, menos direta, menos eu.
Quando minha entrega vira ameaça
e minha calma, desconfiança.

7. Me perde quando se desculpa por sentir,
ou pior, quando finge que não sente.
Porque eu só sei dançar com quem está inteiro na música.

8. Me perde quando o medo fala mais alto
que o desejo,
e o amor vira cálculo, estratégia,
autoproteção.

9. Me perde quando eu começo a pensar demais,
quando preciso me convencer de ficar,
quando o peito pesa e sufoca a alma.

10. E por fim, me perde de vez
quando me obriga a escolher entre ser eu
ou continuar contigo.
Porque se eu preciso te convencer a ficar,
eu escolho ir

leve, livre,
mas inteira.

Comentários

Mais Vistas

A ridícula ideia de nunca mais te ver

Hoje a minha gata derrubou um livro da prateleira. Não foi qualquer livro. Caiu justamente aquele que virou meu amuleto desde que o Rafael morreu: “A ridícula ideia de nunca mais te ver” , da Rosa Montero. Esse livro, que eu ganhei da prima do Rafael (que no meu coração sempre vai ser também a minha prima Nat) me acompanhou pelas ruas mais tortas do luto. Ele andou comigo quando eu mal conseguia andar sozinha. Tem um trecho em que a Rosa fala de Fernando Pessoa, daquele verso em que ele diz que “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. E então ela emenda: “talvez o escritor seja um sujeito mais ou menos louco, incapaz de sentir a própria dor se não fingir, ou se não construí-la com palavras. Com essas palavras que se combinam, que se completam, que nos consolam, que nos tornam minimamente calmos e conscientes de que ainda estamos vivos”. Eu li e pensei: é isso. É exatamente isso que eu faço aqui, neste blog. Aqui eu finjo a d...

Paz é parar de lutar contra a realidade

Tem uma fase do término que ninguém explica direito. A fase em que você já entendeu racionalmente que a relação acabou, que não fazia bem, que os dois estavam se machucando… mas emocionalmente ainda vive como se estivesse esperando alguma coisa voltar. Uma mensagem. Um arrependimento. Uma versão da história em que tudo finalmente faça sentido. E talvez o mais difícil de aceitar seja isso: algumas pessoas realmente conseguem ir embora sem olhar pra trás. Enquanto outras revisitam conversas, lembram de detalhes, tentam entender onde exatamente tudo desandou…  E eu acho que isso aconteceu com a gente. Perceber que o amor que eu sentia não existia aí do outro lado me quebrou inteira... mas a verdade é que você não gostava de mim, não o suficiente pra ficar. E você disse isso: "eu não te amo". Essa frase, esse momento, ficou ecoando na minha mente, em looping... acho que você nem precisava ter dito isso. Se você ia embora, porque ser tão cruel? Mas enfim... você já foi. E eu cont...

Primavera

Com um ritual silencioso, encerro aqui este mês. Fecho a porta destes dias que me atravessaram. Dias de tempestade, de perguntas sem resposta, de esperas longas e despedidas difíceis. Dias que me ensinaram que nem toda dor vem para destruir; algumas vêm para revelar. Hoje eu solto. Solto os pesos que carreguei além da conta. Solto os vínculos que já cumpriram seu papel. Solto as histórias que insistiam em permanecer abertas dentro de mim. E peço o mais sincero e profundo perdão a todos que, de alguma forma, foram tocados pelos ventos que me habitaram nos últimos meses. Fiz o que pude. E talvez eu tenha podido muito pouco. Talvez minhas mãos cansadas não tenham alcançado tudo o que eu gostaria de salvar. Talvez minhas forças tenham sido menores do que as circunstâncias exigiam. Mas, ainda assim, entreguei o que tinha. Entreguei a verdade que eu conseguia sustentar naquele momento. Entreguei presença quando pude, coragem quando encontrei e amor mesmo quando ele parecia insuficiente. Não ...