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Mostrando postagens de julho, 2026

O amanhã nunca nos foi prometido

Caralho. Que sensação horrível. Hoje um conhecido sofreu um acidente. Está no CTI. Em coma. Estava indo trabalhar. De moto. Sempre uma moto. Eu odeio motos. Tenho raiva delas. Como se fosse possível odiar um objeto. Como se fosse culpa do metal e não dessa vida brutal que, de vez em quando, escolhe alguém e simplesmente... atravessa. Tô engasgada. E o mais cruel é que hoje minha aula é sobre planejamento existencial. Planejamento. Que palavra insolente. A gente faz planos. Organiza metas. Compra agenda. Faz terapia. Guarda dinheiro. Escolhe a escola dos filhos. Marca viagem para daqui seis meses. Faz seguro. Faz exame. Cuida da alimentação. Aprende a meditar. Tenta viver certo. E, mesmo assim, basta um segundo. Um. Segundo. Então para que serve o planejamento? E, ao mesmo tempo... como viver sem ele? Esse é o paradoxo que me rasga. A vida é completamente imprevisível, mas a gente precisa agir como se o amanhã existisse. Porque, se não agir, também não vive. A gente constrói uma casa sa...

O Tempo Que Não Existiu

Vinte e seis anos. Eu continuo contando. E acho curioso que eu ainda tente convencer a mim mesma de que deveria parar. Mas quem foi que inventou esse tal de “deveria”? Eu deveria parar de contar os anos. Deveria deixar de lembrar. Deveria olhar só pra frente como se o amor e a saudade obedecessem a uma lista de regras e deveres… Mas o dever ser é uma das maiores ficções que já inventaram. A vida nunca acontece no lugar do dever. Ela acontece no lugar do possível. Do desejo. Da escolha. Do que conseguimos carregar e do que não conseguimos deixar para trás. O “deveria” é uma palavra curiosa. Quase sempre aparece quando tentamos subjugar a nossa própria humanidade. Como se existisse um jeito moralmente correto de sentir saudade. Um prazo aceitável para amar. Um momento exato em que a memória deveria pedir licença e ir embora. Mas ela não vai. Porque a saudade não responde à disciplina. Responde ao significado. A saudade não sabe o que é dever. O luto também não. Eles simplesmente existem....

Eu quero fazer as pazes comigo...

Durante muito tempo, achei que amadurecer significava nunca mais cometer o mesmo erro. Como se a vida entregasse uma prova, eu aprendesse a lição e, dali em diante, estivesse imune. Mas não é assim. A gente pode querer não errar. Mas a gente erra, muitas vezes, algumas no mesmo lugar, só que de um jeito diferente. E talvez seja exatamente aí que esteja a resposta (neste erro que se repete). A real é que eu só não errarei de novo, do mesmo jeito, quando eu deixar de ser quem eu sou.  Quando eu mudar o meu desejo. Mas, principalmente, eu só vou parar de errar se eu parar de desejar. Se eu parar de me envolver. Se eu parar de tentar. Se eu me esconder da vida. Se eu nunca mais confiar. Se eu desistir. Se eu escolher viver uma vida menor para nunca mais me decepcionar. Só que isso não é maturidade. Isso é medo. E existe uma diferença enorme entre aprender e endurecer. E eu não quero endurecer. Eu não quero me fechar para a dor porque isso é o mesmo que me fechar para a vida, para o bel...

Saudade

Existe uma diferença enorme entre desistir de alguém e respeitar o tempo dessa pessoa. Faz um mês que eu não converso com uma grande amiga.  Um mês parece pouco até você perceber quantas vezes, em trinta dias, acontece alguma coisa que você gostaria de contar. Quantas piadas só ela entenderia. Quantos memes você quase encaminha por impulso. Quantas vezes o dedo quase aperta “enviar” antes da razão lembrar que existe um silêncio que precisa ser respeitado. Ela pediu espaço. E, por mais difícil que seja, o meu papel agora é dar. Acho que é isso que a amizade adulta ensina e ninguém nos prepara para aprender: amar alguém nem sempre significa estar perto. Às vezes significa justamente suportar a distância sem transformá-la em invasão. Existe uma parte de mim que teme que esse espaço nunca termine. Que um dia eu descubra que aquela conversa foi, sem que eu soubesse, a última. Esse pensamento dói de um jeito silencioso. Não porque eu ache que o amor acabou, mas porque não sei o que o tem...

Feliz Dia do Amigo...

Hoje é Dia do Amigo. E eu passei o dia inteiro pensando em uma amiga com quem eu não converso mais. O mais difícil é que eu nem sei dizer porque acabou. Não houve uma conversa. Não houve um "foi isso". Não houve a chance de pedir desculpas por algo específico, de explicar um mal-entendido ou de tentar consertar. Houve apenas uma frase. "Não quero conversar, me respeite." E nada mais. Quando pensei em perguntar o que eu tinha feito, o que havia machucado, ela me proibiu de perguntar. O silêncio foi a única resposta que me coube receber. Desde então, carrego esse gosto amargo de quem perdeu alguém sem nunca saber exatamente por quê. Às vezes penso em escrever. Em perguntar de novo. Em dizer que sinto falta. Mas não faço. Porque, por mais que doa, ela foi muito clara no único pedido que me fez. E amar alguém também é respeitar os limites que essa pessoa escolhe impor, mesmo quando eles partem o nosso coração. Então eu respeito. Respeito, mas não entendo. Aceito, mas nã...

Eu queria que ele parasse de me procurar.

Eu queria que ele parasse de me procurar. Ou me achasse de vez. Porque existe um tipo de ausência que dói menos do que uma presença pela metade. Tem gente que vai embora. E tudo bem. A dor da despedida, por mais cruel que seja, um dia encontra um lugar para descansar. O problema é quem nunca vai embora de verdade. Quem aparece quando sente saudade, desaparece quando sente medo e volta quando percebe que você está conseguindo seguir. É como viver com uma porta que nunca fecha e nunca abre completamente. Você não sabe se espera, se esquece, se responde, se bloqueia, se interpreta o silêncio ou a mensagem de "oi, sumida" enviada às onze da noite. E, aos poucos, a sua vida começa a girar em torno das migalhas de alguém que nunca teve coragem de oferecer um banquete. Talvez o que eu deseje não seja nem ele. Talvez eu deseje o fim dessa espera invisível. Porque ser escolhida pela metade é uma forma muito silenciosa de rejeição. Então eu queria que ele parasse de me procurar... Ou m...

Gratidão por ter me libertado (12/06/26)

Tenho pensado muito sobre como nem toda pessoa é pra você. Sobre como paixões intensas nem sempre despertam a sua melhor versão. E eu acho mesmo que minha última relação não fazia tão bem assim pra mim. Porque quando era bom, era muito bom. Mas quando era ruim… era terrível. O ciúme. O controle. A tensão constante de medir palavras, atitudes, roupas, reações. Eu já não me sentia completamente eu. E isso é assustador quando você percebe. Porque lá no começo eu fui muito clara: “eu só quero poder ser eu. Só quero não precisar performar.” E, de repente, eu estava performando o tempo inteiro. Tentando prever reações. Tentando evitar conflitos. Tentando parecer menos intensa, menos livre, menos expansiva. Tentando ser a versão de mim que causaria menos desconforto. Mas isso não é amor. Isso é sobrevivência.  E sejamos honestos, nunca foi cuidado. Era controle vestido de preocupação. Porque cuidado acolhe. Controle sufoca. E eu acho mesmo que você nunca confiou em mim, talvez nem em você...

Eu não queria te perder. Eu não queria me perder. (02/06/25)

Eu lembro que, no começo, eu dizia o tempo inteiro que só queria uma coisa: poder ser eu. Sem jogo. Sem personagem. Sem precisar performar perfeição pra ser amada. E por um tempo eu achei que estava conseguindo. Achei que finalmente tinha encontrado alguém com quem eu podia baixar a guarda. Mas o amor, às vezes, vai mudando de forma tão devagar que quando você percebe… já não está mais vivendo a relação do jeito que começou. Quando era bom, era muito bom. Intenso. Vivo. Apaixonado. Daquele tipo de amor que faz a vida parecer mais colorida. Mas quando era ruim… meu Deus. Era o ciúme. As cobranças. A sensação constante de estar sendo interpretada da pior forma possível. E eu fui mudando sem perceber. Comecei a medir o que falar. A evitar coisas pequenas. A avaliar tom, palavras, reações. Comecei a me explicar demais. Comecei a tentar tranquilizar inseguranças que nunca terminavam de ser tranquilizadas. E talvez essa seja a pior parte de relações assim: ninguém percebe exatamente o moment...