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Saudade

Existe uma diferença enorme entre desistir de alguém e respeitar o tempo dessa pessoa.
Faz um mês que eu não converso com uma grande amiga. 

Um mês parece pouco até você perceber quantas vezes, em trinta dias, acontece alguma coisa que você gostaria de contar. Quantas piadas só ela entenderia. Quantos memes você quase encaminha por impulso. Quantas vezes o dedo quase aperta “enviar” antes da razão lembrar que existe um silêncio que precisa ser respeitado.

Ela pediu espaço.
E, por mais difícil que seja, o meu papel agora é dar.

Acho que é isso que a amizade adulta ensina e ninguém nos prepara para aprender: amar alguém nem sempre significa estar perto. Às vezes significa justamente suportar a distância sem transformá-la em invasão.

Existe uma parte de mim que teme que esse espaço nunca termine. Que um dia eu descubra que aquela conversa foi, sem que eu soubesse, a última. Esse pensamento dói de um jeito silencioso. Não porque eu ache que o amor acabou, mas porque não sei o que o tempo fará com ele.

A saudade continua aqui. Ela aparece nos detalhes mais banais do dia, como fazem todas as relações importantes. Ela me lembra que existiu, e talvez ainda exista, uma amizade bonita, construída com tempo, afeto e presença.

E eu gosto de pensar que o silêncio não apaga o que foi verdadeiro.

Respeitar esse espaço não diminui a minha saudade. Mas preserva aquilo que sempre fez essa amizade merecer esse nome: o amor.

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