Tem algo se desfazendo dentro de mim. Não explode. Não grita. Não faz drama. Só se desmancha em silêncio, como quem entende, enfim, que o bonito também acaba. E não, não foi falta de amor. Foi excesso de lucidez. De perceber que o sentir, por mais verdadeiro que fosse, não bastava pra sustentar o encontro. Você me puxava, e eu ia. Mas, no instante seguinte, me empurrava e eu ficava ali, suspensa. Entre o quase e o nunca. Entre o toque e o vácuo. E o mais doido é que, por um tempo, eu acreditei. Acreditei que seu silêncio era calma, quando era fuga. Acreditei que seu jeito contido era profundidade, quando era medo. Acreditei que seu tempo era diferente, quando, na verdade, era desinteresse. Mas, veja, eu não me arrependo. Não mesmo. Eu fui inteira. Fui leve, fui honesta, fui corajosa. E quando percebi que já não tinha onde pousar, eu implorei por espaço: mas voei . Doeu, sim. Mas doeu limpo. Sem culpa, sem raiva, sem precisar me odiar por ter sentido. Eu senti: e isso m...
Eu estou feliz. E talvez esse seja o texto inteiro. Talvez eu não precise desenvolver nenhuma frase depois dessa. Mas eu quero. Ontem à noite, deitada na minha cama, depois do meu skincare, peguei meu diário para escrever sobre como o dia tinha sido incrível. E, enquanto escrevia, me peguei pensando não apenas no dia, mas na semana, no mês na vida e em quantas coisas eu tenho para agradecer. Em quantas pessoas eu tenho para agradecer. O mês de maio foi um dos mais desafiadores que vivi. Pessoas muito importantes na minha história se retiraram dela. Algumas despedidas foram inevitáveis, outras, bruscas. Todas doeram. Chorei por dias. Procurei respostas revisitando conversas, lembrando acontecimentos, tentando encontrar explicações onde talvez não existissem. Tive dificuldade de olhar fotos. Arquivei conversas. Ocultei lembranças. E continuei caminhando, alguns dias com muita dificuldade, outros com passos mais tranquilos... e em alguns momentos sendo carregada pelo amor de quem escolhe ...