Hoje é Dia do Amigo. E eu passei o dia inteiro pensando em uma amiga com quem eu não converso mais. O mais difícil é que eu nem sei dizer porque acabou. Não houve uma conversa. Não houve um "foi isso". Não houve a chance de pedir desculpas por algo específico, de explicar um mal-entendido ou de tentar consertar. Houve apenas uma frase. "Não quero conversar, me respeite." E nada mais. Quando pensei em perguntar o que eu tinha feito, o que havia machucado, ela me proibiu de perguntar. O silêncio foi a única resposta que me coube receber. Desde então, carrego esse gosto amargo de quem perdeu alguém sem nunca saber exatamente por quê. Às vezes penso em escrever. Em perguntar de novo. Em dizer que sinto falta. Mas não faço. Porque, por mais que doa, ela foi muito clara no único pedido que me fez. E amar alguém também é respeitar os limites que essa pessoa escolhe impor, mesmo quando eles partem o nosso coração. Então eu respeito. Respeito, mas não entendo. Aceito, mas nã...
Eu queria que ele parasse de me procurar. Ou me achasse de vez. Porque existe um tipo de ausência que dói menos do que uma presença pela metade. Tem gente que vai embora. E tudo bem. A dor da despedida, por mais cruel que seja, um dia encontra um lugar para descansar. O problema é quem nunca vai embora de verdade. Quem aparece quando sente saudade, desaparece quando sente medo e volta quando percebe que você está conseguindo seguir. É como viver com uma porta que nunca fecha e nunca abre completamente. Você não sabe se espera, se esquece, se responde, se bloqueia, se interpreta o silêncio ou a mensagem de "oi, sumida" enviada às onze da noite. E, aos poucos, a sua vida começa a girar em torno das migalhas de alguém que nunca teve coragem de oferecer um banquete. Talvez o que eu deseje não seja nem ele. Talvez eu deseje o fim dessa espera invisível. Porque ser escolhida pela metade é uma forma muito silenciosa de rejeição. Então eu queria que ele parasse de me procurar... Ou m...