Vejo um pouco de nostalgia e um pouco de surpresa quando olho para mim mesma ultimamente. Porque sempre me defini como aquela pessoa que cabia em qualquer mesa, em qualquer grupo, em qualquer bagunça. Sempre gostei de gente (ainda gosto). Mas eu amava o barulho, as conversas atravessadas, os encontros improvisados, a sensação de estar acontecendo alguma coisa o tempo todo. E agora eu estou me estranhando. Não de um jeito ruim. Só de um jeito novo. Ando preferindo a minha casa. A minha cama. O meu canto. O meu silêncio e os meus livros. Minha bateria social, que antes parecia infinita, começou a descarregar mais rápido. Minha curiosidade por conhecer pessoas novas diminuiu. Aquele tesão que eu tinha por ambientes cheios, música alta e agendas lotadas está, aos poucos, cedendo espaço para outras vontades. E o mais curioso é que isso não aconteceu de uma hora para outra. Hoje consigo perceber que esse movimento começou lá pelo final de 2025. Na época eu não entendia muito bem. Achei ...
Eu ganhei um diário do meu ex e, ironicamente, foi um dos melhores presentes que já recebi. É curioso como alguém pode enxergar partes tão profundas de você, perceber suas nuances, seus medos, suas cicatrizes, e ainda assim não conseguir acreditar no amor que você oferece. Também é curioso que eu tenha começado 2026 com o desejo de me reconstruir. Não por fora. Por dentro. Rever estruturas antigas, questionar padrões, amadurecer partes de mim que há muito pediam atenção. E agora esse processo está sendo registrado justamente neste diário. Há algo de simbólico nisso. Porque as maiores mudanças que hoje percebo que preciso fazer nasceram, em grande parte, deste término. Não que eu já não estivesse em movimento antes. Eu estava. E talvez seja exatamente por isso que consigo enxergar agora coisas que antes passavam despercebidas. Algumas transformações já estavam acontecendo silenciosamente. O fim apenas trouxe luz para aquilo que eu já não podia mais ignorar. Foram muitos os incômodos que...