Me deixa sentir raiva de você. Me deixa dizer que os seus motivos não eram verdades absolutas, eram apenas a forma como você enxergava as coisas. Me deixa dizer que eu nunca tive a chance de responder. Que a sentença já estava pronta antes da conversa começar. Me deixa dizer que eu jamais fui desleixada com a nossa relação. Que eu me importei. Que eu tentei. Que eu estive ali mesmo quando era difícil. Me deixa brigar com a ideia de que eu não fazia nada pela sua insegurança. Porque eu ouvi, acolhi, expliquei, reafirmei, tranquilizei. E, ainda assim, parecia nunca ser suficiente. Me deixa gritar que eu não tinha o que fazer com uma ferida que não era minha. Que eu fiz tudo o que podia fazer sem deixar de existir. Me deixa dizer que o fato de você não acreditar no meu amor nunca significou que ele não existia. Me deixa questionar todas as vezes em que você me chamou de extraordinária. Porque é difícil entender como alguém pode admirar tanto uma pessoa e, depois, enxergar nela apenas defe...
Eu uso bloco de notas para escrever durante os meus dias de trabalho. Rabisco ideias. Faço listas. Anoto audiências, tarefas, pensamentos soltos. Talvez por isso eu nunca tenha dado muita importância aos blocos em si. Eles sempre foram apenas o lugar onde as coisas passavam. Recentemente, troquei o bloco que estava usando por um novo que estava guardado em uma gaveta aqui no escritório. Usei a primeira página normalmente. Mas quando virei para a segunda, me deparei com uma letra que provavelmente nunca mais vai escrever nada para mim. E com um recado que ele deixava em praticamente todos os blocos, papéis e cadernos que encontrava ao meu redor: "Pollyanna! Te adoro!!! Você é uma pessoa extraordinária!" É engraçado. Houve um tempo em que encontrar essas palavras era capaz de transformar o meu dia inteiro. Bastava olhar aquela letra redonda, familiar, e eu me sentia amada. Dessa vez não. Dessa vez elas não me fizeram sorrir. Só conseguiram desestabilizar um p...