Tenho orgulho de mim. E talvez essa seja uma das frases mais difíceis que já precisei dizer olhando no espelho. Porque apesar de tudo… eu tô seguindo. Sigo trabalhando. Estudando. Treinando. Levantando da cama nos dias em que meu corpo parece feito de concreto e minha mente só quer silêncio. E eu até tive silêncio… um silêncio ensurdecedor do único lugar de onde eu queria ouvir alguma coisa. A Ana comentou que conversou com meu irmão, uns meses atrás, porque estava estranhando meu comportamento. Disse que eu sou uma pessoa falante… e que meu silêncio estava preocupando ela. Ela já sabia que algo tinha quebrado antes mesmo de eu perceber. Engraçado como quem realmente nos conhece… nos conhece. Tem gente que percebe quando o nosso riso muda de temperatura. Quando a gente pára de ocupar espaço. Quando começa a sobreviver baixinho. Eu tive momentos ruins pra caramba. Outros ainda piores. Mas também tive colo. O carinho das minhas amigas. A mão do meu irmão quando eu não conseguia andar...
Fazem 2 domingos. E todos os dias entre eles. Parece uma eternidade e, ao mesmo tempo, parece que foi ontem. Eu ainda sinto falta da nossa rotina. Ainda não me adaptei aos dias sem você. Ainda busco seu olhar. Seu riso. Ainda espero sentir você respirando pelo meu corpo, percebendo cada nuance do meu cheiro, experimentando meu sabor. É estranho como a ausência de alguém não ocupa só espaço. Ocupa horário. Ocupa hábito. Ocupa partes inteiras da gente. E eu fico me perguntando se isso passa. Será que vai passar? Será que eu vou esquecer? E em que momento exatamente a dor deixa de ser presença constante e vira só lembrança? Porque agora tudo ainda parece muito vivo. Muito perto. Muito aberto. E eu quero tanto esquecer. Quero tanto virar a página. Quero tanto superar. Mas talvez a pior parte não seja a saudade. Talvez seja essa sensação de que o mundo continua funcionando normalmente enquanto, dentro da gente, alguma coisa ainda está caída no chão. Sei que só o tempo. E é engraçado como a ...