Tenho pensado muito sobre como nem toda pessoa é pra você. Sobre como paixões intensas nem sempre despertam a sua melhor versão. E eu acho mesmo que minha última relação não fazia tão bem assim pra mim. Porque quando era bom, era muito bom. Mas quando era ruim… era terrível. O ciúme. O controle. A tensão constante de medir palavras, atitudes, roupas, reações. Eu já não me sentia completamente eu. E isso é assustador quando você percebe. Porque lá no começo eu fui muito clara: “eu só quero poder ser eu. Só quero não precisar performar.” E, de repente, eu estava performando o tempo inteiro. Tentando prever reações. Tentando evitar conflitos. Tentando parecer menos intensa, menos livre, menos expansiva. Tentando ser a versão de mim que causaria menos desconforto. Mas isso não é amor. Isso é sobrevivência. E sejamos honestos, nunca foi cuidado. Era controle vestido de preocupação. Porque cuidado acolhe. Controle sufoca. E eu acho mesmo que você nunca confiou em mim, talvez nem em você...
Eu lembro que, no começo, eu dizia o tempo inteiro que só queria uma coisa: poder ser eu. Sem jogo. Sem personagem. Sem precisar performar perfeição pra ser amada. E por um tempo eu achei que estava conseguindo. Achei que finalmente tinha encontrado alguém com quem eu podia baixar a guarda. Mas o amor, às vezes, vai mudando de forma tão devagar que quando você percebe… já não está mais vivendo a relação do jeito que começou. Quando era bom, era muito bom. Intenso. Vivo. Apaixonado. Daquele tipo de amor que faz a vida parecer mais colorida. Mas quando era ruim… meu Deus. Era o ciúme. As cobranças. A sensação constante de estar sendo interpretada da pior forma possível. E eu fui mudando sem perceber. Comecei a medir o que falar. A evitar coisas pequenas. A avaliar tom, palavras, reações. Comecei a me explicar demais. Comecei a tentar tranquilizar inseguranças que nunca terminavam de ser tranquilizadas. E talvez essa seja a pior parte de relações assim: ninguém percebe exatamente o moment...