Tô na merda, levei um pé na bunda. Chorei um dia inteiro. O olho ardeu, não comi, desidratei e minha cabeça explodiu. Latejava como se cada batida do coração viesse com um aviso sonoro: “parabéns, acabou”. E hoje? Hoje ainda é o dia 2. Ainda dói. Ainda tem aquele vazio no peito, a cama grande demais, o silêncio barulhento. Mas eu escolho escrever tristes textos e abraçar a minha dor como prova de que meu coração ainda pulsa. E, principalmente, eu escolho sorrir. Sorrir torto, cansado, meio falso. Sorrir até esse sorriso aprender o caminho de novo. “Ah, mas ela tá fingindo que tá tudo bem.” Sim. Tô fingindo. Fazendo o papel da mulher que sobreviveu. Esse papel eu conheço muito bem e sei que uma hora vira verdade, né? No terceiro dia vai ser um pouquinho menos pesado. Depois, menos ainda. Até que um dia eu vou acordar, escovar os dentes, passar um batom qualquer, me olhar no espelho e perceber: o sorriso voltou. Não é mais teatro, é retorno. E, quando esse dia chegar, eu vou...
São 3:39 da manhã: aquele limbo em que a cidade dorme, o barulho cala, o corpo esgotado implora por descanso… e a mente decide que é um ótimo momento pra começar a tortura diária. Eu dormi depois da meia-noite, como quem desmaia e não como quem descansa. O corpo desligou por exaustão. A mente, não. A mente é aquela amiga inconveniente que chega sem avisar, acende todas as luzes da casa e começa a fazer perguntas que não têm resposta. O que poderia ter sido diferente? Onde foi que eu errei? Por que não deu certo? Eu não tenho as respostas. Aliás, nem as perguntas eu tenho direito. Só tenho esse buraco no peito, essa sensação de página inacabada, de frase que termina sem ponto final. Todo mundo ama uma história com porquê. A gente foi educada a acreditar que tudo tem sentido, lição, moral no fim. Mas na vida real, o fim às vezes é só isso: fim. Sem explicação, sem discurso bonito, sem vilão claro. Acaba porque alguém não aguenta mais, porque alguém não sabe como continuar, porque algo se...