Vinte e seis anos. Eu continuo contando. E acho curioso que eu ainda tente convencer a mim mesma de que deveria parar. Mas quem foi que inventou esse tal de “deveria”? Eu deveria parar de contar os anos. Deveria deixar de lembrar. Deveria olhar só pra frente como se o amor e a saudade obedecessem a uma lista de regras e deveres… Mas o dever ser é uma das maiores ficções que já inventaram. A vida nunca acontece no lugar do dever. Ela acontece no lugar do possível. Do desejo. Da escolha. Do que conseguimos carregar e do que não conseguimos deixar para trás. O “deveria” é uma palavra curiosa. Quase sempre aparece quando tentamos subjugar a nossa própria humanidade. Como se existisse um jeito moralmente correto de sentir saudade. Um prazo aceitável para amar. Um momento exato em que a memória deveria pedir licença e ir embora. Mas ela não vai. Porque a saudade não responde à disciplina. Responde ao significado. A saudade não sabe o que é dever. O luto também não. Eles simplesmente existem....
Durante muito tempo, achei que amadurecer significava nunca mais cometer o mesmo erro. Como se a vida entregasse uma prova, eu aprendesse a lição e, dali em diante, estivesse imune. Mas não é assim. A gente pode querer não errar. Mas a gente erra, muitas vezes, algumas no mesmo lugar, só que de um jeito diferente. E talvez seja exatamente aí que esteja a resposta (neste erro que se repete). A real é que eu só não errarei de novo, do mesmo jeito, quando eu deixar de ser quem eu sou. Quando eu mudar o meu desejo. Mas, principalmente, eu só vou parar de errar se eu parar de desejar. Se eu parar de me envolver. Se eu parar de tentar. Se eu me esconder da vida. Se eu nunca mais confiar. Se eu desistir. Se eu escolher viver uma vida menor para nunca mais me decepcionar. Só que isso não é maturidade. Isso é medo. E existe uma diferença enorme entre aprender e endurecer. E eu não quero endurecer. Eu não quero me fechar para a dor porque isso é o mesmo que me fechar para a vida, para o bel...