Eu ganhei um diário do meu ex e, ironicamente, foi um dos melhores presentes que já recebi. É curioso como alguém pode enxergar partes tão profundas de você, perceber suas nuances, seus medos, suas cicatrizes, e ainda assim não conseguir acreditar no amor que você oferece. Também é curioso que eu tenha começado 2026 com o desejo de me reconstruir. Não por fora. Por dentro. Rever estruturas antigas, questionar padrões, amadurecer partes de mim que há muito pediam atenção. E agora esse processo está sendo registrado justamente neste diário. Há algo de simbólico nisso. Porque as maiores mudanças que hoje percebo que preciso fazer nasceram, em grande parte, deste término. Não que eu já não estivesse em movimento antes. Eu estava. E talvez seja exatamente por isso que consigo enxergar agora coisas que antes passavam despercebidas. Algumas transformações já estavam acontecendo silenciosamente. O fim apenas trouxe luz para aquilo que eu já não podia mais ignorar. Foram muitos os incômodos que...
Me deixa sentir raiva de você. Me deixa dizer que os seus motivos não eram verdades absolutas, eram apenas a forma como você enxergava as coisas. Me deixa dizer que eu nunca tive a chance de responder. Que a sentença já estava pronta antes da conversa começar. Me deixa dizer que eu jamais fui desleixada com a nossa relação. Que eu me importei. Que eu tentei. Que eu estive ali mesmo quando era difícil. Me deixa brigar com a ideia de que eu não fazia nada pela sua insegurança. Porque eu ouvi, acolhi, expliquei, reafirmei, tranquilizei. E, ainda assim, parecia nunca ser suficiente. Me deixa gritar que eu não tinha o que fazer com uma ferida que não era minha. Que eu fiz tudo o que podia fazer sem deixar de existir. Me deixa dizer que o fato de você não acreditar no meu amor nunca significou que ele não existia. Me deixa questionar todas as vezes em que você me chamou de extraordinária. Porque é difícil entender como alguém pode admirar tanto uma pessoa e, depois, enxergar nela apenas defe...