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Me deixa sentir raiva (05/05/2026)

Me deixa sentir raiva de você.

Me deixa dizer que os seus motivos não eram verdades absolutas, eram apenas a forma como você enxergava as coisas.

Me deixa dizer que eu nunca tive a chance de responder. Que a sentença já estava pronta antes da conversa começar.

Me deixa dizer que eu jamais fui desleixada com a nossa relação. Que eu me importei. Que eu tentei. Que eu estive ali mesmo quando era difícil.

Me deixa brigar com a ideia de que eu não fazia nada pela sua insegurança. Porque eu ouvi, acolhi, expliquei, reafirmei, tranquilizei. E, ainda assim, parecia nunca ser suficiente.

Me deixa gritar que eu não tinha o que fazer com uma ferida que não era minha. Que eu fiz tudo o que podia fazer sem deixar de existir.

Me deixa dizer que o fato de você não acreditar no meu amor nunca significou que ele não existia.

Me deixa questionar todas as vezes em que você me chamou de extraordinária. Porque é difícil entender como alguém pode admirar tanto uma pessoa e, depois, enxergar nela apenas defeitos.

Me deixa ficar nervosa com o fato de que você foi embora e nunca mais voltou. Com o fato de que você fechou a porta sem sequer olhar para trás.

Me deixa admitir que eu nunca achei que você realmente iria embora. Porque eu jamais iria.

Me deixa ficar magoada com cada vez que você disse que eu era egoísta, mesquinha, competitiva, que eu precisava ganhar todas as discussões, que eu não enxergava suas necessidades, que eu não fazia o bastante, que eu não entregava amor da forma certa.

Me deixa dizer que talvez eu tenha passado meses tentando me defender de acusações que nunca tiveram sentido ou fundamento.

Me deixa ficar brava comigo mesma por perceber, só agora, que eu estava diminuindo o meu tom. Escolhendo palavras com cuidado demais. Ocupando cada vez menos espaço para que a sua insegurança pudesse ocupar cada vez mais. E, no fim, ela ocupou tudo.

Me deixa admitir que talvez essa relação tenha me machucado mais do que eu tive coragem de reconhecer enquanto estava dentro dela.

Me deixa ficar magoada com o fato de que você não me amou da forma que eu esperava.

Me deixa ficar decepcionada porque eu nunca te pedi nada. Nunca fiz contabilidade de afeto. Nunca transformei amor em planilha de débitos e créditos.
Tudo o que você fazia, você dizia fazer porque queria. Porque gostava. Porque sentia vontade.
E talvez tenha sido essa uma das maiores dores: descobrir depois que existia uma conta invisível sendo construída. Uma conta que eu nem sabia que estava sendo cobrada.

Porque quando você decidiu que tinha dado mais do que recebeu, você esqueceu tudo que eu fiz por você, todas as vezes que eu estive ao seu lado, todo o tempo e amor que dediquei.

E eu discordo de você.
Eu acho que fiz muito.
Acho que entreguei muito.
Acho que me dediquei de verdade.
Acho que fui leal.
Acho que fui presente.
Acho que tentei.

E, entre todas as dúvidas que ficaram espalhadas pelo caminho, existe uma única coisa sobre a qual eu tenho certeza:
Eu amei.
Eu amei com tudo o que eu tinha naquele momento.
E ninguém pode me tirar essa verdade.

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