Vejo um pouco de nostalgia e um pouco de surpresa quando olho para mim mesma ultimamente.
Porque sempre me defini como aquela pessoa que cabia em qualquer mesa, em qualquer grupo, em qualquer bagunça. Sempre gostei de gente (ainda gosto). Mas eu amava o barulho, as conversas atravessadas, os encontros improvisados, a sensação de estar acontecendo alguma coisa o tempo todo.
E agora eu estou me estranhando.
Não de um jeito ruim. Só de um jeito novo.
Ando preferindo a minha casa. A minha cama. O meu canto. O meu silêncio e os meus livros.
Minha bateria social, que antes parecia infinita, começou a descarregar mais rápido. Minha curiosidade por conhecer pessoas novas diminuiu. Aquele tesão que eu tinha por ambientes cheios, música alta e agendas lotadas está, aos poucos, cedendo espaço para outras vontades.
E o mais curioso é que isso não aconteceu de uma hora para outra.
Hoje consigo perceber que esse movimento começou lá pelo final de 2025. Na época eu não entendia muito bem. Achei que fosse o cansaço, o excesso de trabalho. Mas os meses passaram e o padrão ficou evidente. Eu mudei.
Ou talvez esteja apenas encontrando partes de mim que o barulho não deixava aparecer.
Porque não existe tristeza nessa mudança. Não existe isolamento. Não existe desistência da vida.
Existe exatamente o contrário.
Existe uma fome enorme, pulsante, mas diferente.
Uma vontade quase infantil de descobrir coisas novas.
Ando querendo ler mais. Visitar museus. Escrever histórias. Fazer um curso de pintura. Sentar num café sem pressa. Observar a vida, as cores, os sons, os cheiros. Ter tempo para pensar uma ideia até o fim.
E, como não poderia deixar de ser, fazer a minha viagem solo.
Aliás, esse talvez seja o movimento que mais me intriga.
Estou treinando a arte de estar sozinha em lugares públicos. E parece bobagem até você perceber o quanto fomos ensinados a acreditar que estar só é sinônimo de faltar alguma coisa.
Existe um olhar social que transforma a própria companhia em fracasso.
Como se uma mulher sozinha estivesse esperando alguém.
Como se a mesa para um fosse uma ausência.
Como se a liberdade precisasse ser justificada.
Mas eu acho justamente o contrário.
Acho gigante.
Acho de uma força silenciosa e impressionante.
Porque existe algo de muito poderoso em ocupar espaços sem precisar de testemunhas. Em descobrir que a sua presença é suficiente para preencher a própria vida.
Talvez eu esteja ficando mais seletiva.
Talvez eu esteja mudando.
Talvez eu esteja apenas trocando hobbies.
Não sei.
Só sei que ando querendo mais da vida. E, principalmente, mais de mim.
Menos correria para provar que estou vivendo.
Mais presença para realmente viver.
E, pela primeira vez em muito tempo, as mudanças não parecem tempestades.
Parecem aquelas manhãs em que a luz entra pela janela devagar e, quando você percebe, o cômodo inteiro já está docemente iluminado.
Mudanças doces.
Daquelas que não arrancam quem você era.
Só apresentam quem você também pode ser.
Porque sempre me defini como aquela pessoa que cabia em qualquer mesa, em qualquer grupo, em qualquer bagunça. Sempre gostei de gente (ainda gosto). Mas eu amava o barulho, as conversas atravessadas, os encontros improvisados, a sensação de estar acontecendo alguma coisa o tempo todo.
E agora eu estou me estranhando.
Não de um jeito ruim. Só de um jeito novo.
Ando preferindo a minha casa. A minha cama. O meu canto. O meu silêncio e os meus livros.
Minha bateria social, que antes parecia infinita, começou a descarregar mais rápido. Minha curiosidade por conhecer pessoas novas diminuiu. Aquele tesão que eu tinha por ambientes cheios, música alta e agendas lotadas está, aos poucos, cedendo espaço para outras vontades.
E o mais curioso é que isso não aconteceu de uma hora para outra.
Hoje consigo perceber que esse movimento começou lá pelo final de 2025. Na época eu não entendia muito bem. Achei que fosse o cansaço, o excesso de trabalho. Mas os meses passaram e o padrão ficou evidente. Eu mudei.
Ou talvez esteja apenas encontrando partes de mim que o barulho não deixava aparecer.
Porque não existe tristeza nessa mudança. Não existe isolamento. Não existe desistência da vida.
Existe exatamente o contrário.
Existe uma fome enorme, pulsante, mas diferente.
Uma vontade quase infantil de descobrir coisas novas.
Ando querendo ler mais. Visitar museus. Escrever histórias. Fazer um curso de pintura. Sentar num café sem pressa. Observar a vida, as cores, os sons, os cheiros. Ter tempo para pensar uma ideia até o fim.
E, como não poderia deixar de ser, fazer a minha viagem solo.
Aliás, esse talvez seja o movimento que mais me intriga.
Estou treinando a arte de estar sozinha em lugares públicos. E parece bobagem até você perceber o quanto fomos ensinados a acreditar que estar só é sinônimo de faltar alguma coisa.
Existe um olhar social que transforma a própria companhia em fracasso.
Como se uma mulher sozinha estivesse esperando alguém.
Como se a mesa para um fosse uma ausência.
Como se a liberdade precisasse ser justificada.
Mas eu acho justamente o contrário.
Acho gigante.
Acho de uma força silenciosa e impressionante.
Porque existe algo de muito poderoso em ocupar espaços sem precisar de testemunhas. Em descobrir que a sua presença é suficiente para preencher a própria vida.
Talvez eu esteja ficando mais seletiva.
Talvez eu esteja mudando.
Talvez eu esteja apenas trocando hobbies.
Talvez seja só uma fase.
Talvez seja um aprendizado novo que vai se integrar na "velha eu" e formar um emaranhado imenso de várias eus...
Não sei.
Só sei que ando querendo mais da vida. E, principalmente, mais de mim.
Menos correria para provar que estou vivendo.
Mais presença para realmente viver.
E, pela primeira vez em muito tempo, as mudanças não parecem tempestades.
Não me tomam de assalto como um trovão urrando no céu.
Parecem aquelas manhãs em que a luz entra pela janela devagar e, quando você percebe, o cômodo inteiro já está docemente iluminado.
Mudanças doces.
Daquelas que não arrancam quem você era.
Só apresentam quem você também pode ser.
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