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Mostrando postagens de maio, 2026

Eu levei um pé na bunda

Tô na merda, levei um pé na bunda.   Chorei um dia inteiro. O olho ardeu, não comi, desidratei e minha cabeça explodiu. Latejava como se cada batida do coração viesse com um aviso sonoro: “acabou”. Senti medo. Senti culpa. Senti que não ia aguentar. Senti raiva, me senti traída e depois senti tudo isso de novo e de novo. Revisitei aquela noite maldita. Revisitei aquela manhã desastrosa. Desenhei outros finais. Alguns felizes, alguns menos felizes… e chorei ainda mais enquanto esperava sua resposta que eu sempre soube que não viria. Eu amo tanto que chega a doer o corpo e seu silêncio é uma lâmina que me atravessa a alma. Mas hoje? Hoje ainda é o dia 2. Ainda dói. Ainda tem aquele vazio no peito, a cama grande demais, o silêncio barulhento. Mas eu escolho escrever tristes textos e abraçar a minha dor como prova de que meu coração ainda pulsa.  E, principalmente, eu escolho sorrir. Sorrir torto, cansado, meio falso. Sorrir até esse sorriso aprender o caminho de novo. “Ah, mas el...

São 3:39 da manhã.

São 3:39 da manhã: aquele limbo em que a cidade dorme, o barulho cala, o corpo esgotado implora por descanso… e a mente decide que é um ótimo momento pra começar a tortura diária. Eu dormi depois da meia-noite, como quem desmaia e não como quem descansa. O corpo desligou por exaustão. A mente, não. A mente é aquela amiga inconveniente que chega sem avisar, acende todas as luzes da casa e começa a fazer perguntas que não têm resposta. O que poderia ter sido diferente? Onde foi que eu errei? Por que não deu certo? Eu não tenho as respostas. Aliás, nem as perguntas eu tenho direito. Só tenho esse buraco no peito, essa sensação de página inacabada, de frase que termina sem ponto final. Todo mundo ama uma história com porquê. A gente foi educada a acreditar que tudo tem sentido, lição, moral no fim. Mas na vida real, o fim às vezes é só isso: fim. Sem explicação, sem discurso bonito, sem vilão claro. Acaba porque alguém não aguenta mais, porque alguém não sabe como continuar, porque algo se...

Você foi embora

Você foi embora. E eu ainda não entendi como o mundo continua funcionando como se nada tivesse acontecido. Os minutos passam, as pessoas gargalham, o sol insiste em nascer… e dentro de mim tudo está em ruína. É um silêncio barulhento. Eu ouço a sua ausência em cada canto da casa. Eu não acredito que você foi embora. Eu pedi tanto que você ficasse. Tantas conversas, tantos “vamos tentar mais uma vez?”, tantas noites em que eu dormi abraçada em uma esperança que, no fundo, você já tinha largado faz tempo. Eu estava segurando uma corda que você já tinha soltado sem me contar. E dói. Dói num lugar do corpo que nem tem nome, mas que pesa no peito, aperta a garganta, lateja nas costas. Dói pensar que não terei mensagem sua. Dói olhar pro lado da cama e ver que o seu travesseiro virou um território vazio. Dói perceber que meu futuro tinha seu abraço, seu sorriso, seu jeito irritante de me contradizer… e que tudo, de repente, virou um borrão. Eu sei que somos diferentes. Eu sempre soube. A gen...