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Eu levei um pé na bunda

Tô na merda, levei um pé na bunda.  

Chorei um dia inteiro. O olho ardeu, não comi, desidratei e minha cabeça explodiu. Latejava como se cada batida do coração viesse com um aviso sonoro: “acabou”.

Senti medo. Senti culpa. Senti que não ia aguentar. Senti raiva, me senti traída e depois senti tudo isso de novo e de novo. Revisitei aquela noite maldita. Revisitei aquela manhã desastrosa. Desenhei outros finais. Alguns felizes, alguns menos felizes… e chorei ainda mais enquanto esperava sua resposta que eu sempre soube que não viria.

Eu amo tanto que chega a doer o corpo e seu silêncio é uma lâmina que me atravessa a alma.

Mas hoje? Hoje ainda é o dia 2. Ainda dói. Ainda tem aquele vazio no peito, a cama grande demais, o silêncio barulhento. Mas eu escolho escrever tristes textos e abraçar a minha dor como prova de que meu coração ainda pulsa. 

E, principalmente, eu escolho sorrir. Sorrir torto, cansado, meio falso. Sorrir até esse sorriso aprender o caminho de novo.

“Ah, mas ela tá fingindo que tá tudo bem.”  

Sim. Tô fingindo. Fazendo o papel da mulher que sobreviveu. Esse papel eu conheço muito bem e sei que uma hora vira verdade, né?

No terceiro dia vai ser um pouquinho menos pesado. Depois, menos ainda. Até que um dia eu vou acordar, escovar os dentes, passar um batom qualquer, me olhar no espelho e perceber: o sorriso voltou. Não é mais teatro, é retorno.

E, quando esse dia chegar, eu vou lembrar: começou aqui, nesse dia 2, em que eu estava destruída… mas ainda assim escolhi levantar.

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