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A falta de controle

Você já parou pra pensar como a vida muda seu curso em um segundo? Do mais absoluto NADA. Um instante antes você está dentro da rotina, acreditando que tem um roteiro em mãos, que sabe a próxima cena. E, de repente, sem aviso, sem preparação: BOOMM! Tudo se desfaz. Você precisa recomeçar, refazer, assimilar… do nada.

Um acidente, um adeus, uma doença. Do nada. E é aí que a vida nos revela sua crueldade e sua beleza: ela não pede licença, não dá prévia, não negocia. Ela simplesmente acontece.

E, ainda assim, a gente insiste em acreditar que tem controle… e sofre pela ausência dele, como se essa ausência fosse falha, quando na verdade é a regra do jogo.

A falta de controle é a lembrança mais cruel e mais bela da existência. Cruel porque nos arranca a ilusão de sermos donos do tempo, dos outros, até de nós mesmos. Bela porque, ao despir-nos dessa ilusão, nos devolve a verdade mais antiga: tudo é instante. 

Heráclito já dizia que “ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque as águas já serão outras e nós também não seremos os mesmos”. E ainda assim insistimos em construir muralhas contra a impermanência, como se pudessem nos salvar do que é inevitável.

A falta de controle é o que nos lembra que viver não é dominar o fluxo, mas aprender a dançar com ele. É o que nos obriga a aceitar que o amanhã não é promessa, é hipótese. Nietzsche provocava: “É preciso ter um caos dentro de si para gerar uma estrela que dança”. Talvez a falta de controle seja justamente esse caos, essa rachadura que, quando acolhida, abre espaço para novas formas de vida.

No fundo, a falta de controle é a certeza de que somos passageiros, frágeis e, paradoxalmente, infinitos no instante em que respiramos conscientes da própria finitude.

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