Tem algo se desfazendo dentro de mim.
Não explode. Não grita. Não faz drama.
Só se desmancha em silêncio,
como quem entende,
Não explode. Não grita. Não faz drama.
Só se desmancha em silêncio,
como quem entende,
enfim,
que o bonito também acaba.
E não, não foi falta de amor.
Foi excesso de lucidez.
De perceber que o sentir, por mais verdadeiro que fosse,
não bastava pra sustentar o encontro.
Você me puxava, e eu ia.
Mas, no instante seguinte, me empurrava
E não, não foi falta de amor.
Foi excesso de lucidez.
De perceber que o sentir, por mais verdadeiro que fosse,
não bastava pra sustentar o encontro.
Você me puxava, e eu ia.
Mas, no instante seguinte, me empurrava
e eu ficava ali, suspensa.
Entre o quase e o nunca.
Entre o toque e o vácuo.
E o mais doido é que, por um tempo, eu acreditei.
Acreditei que seu silêncio era calma,
Entre o toque e o vácuo.
E o mais doido é que, por um tempo, eu acreditei.
Acreditei que seu silêncio era calma,
quando era fuga.
Acreditei que seu jeito contido era profundidade,
quando era medo.
Acreditei que seu tempo era diferente,
quando, na verdade, era desinteresse.
Mas, veja, eu não me arrependo.
Não mesmo.
Eu fui inteira.
Fui leve, fui honesta, fui corajosa.
E quando percebi que já não tinha onde pousar,
eu implorei por espaço:
Acreditei que seu jeito contido era profundidade,
quando era medo.
Acreditei que seu tempo era diferente,
quando, na verdade, era desinteresse.
Mas, veja, eu não me arrependo.
Não mesmo.
Eu fui inteira.
Fui leve, fui honesta, fui corajosa.
E quando percebi que já não tinha onde pousar,
eu implorei por espaço:
mas voei.
Doeu, sim.
Mas doeu limpo.
Sem culpa, sem raiva, sem precisar me odiar por ter sentido.
Doeu, sim.
Mas doeu limpo.
Sem culpa, sem raiva, sem precisar me odiar por ter sentido.
Eu senti: e isso me orgulha.
Porque eu não me defendi do amor.
Eu me permiti.
E há uma nobreza imensa nisso:
em sentir sem garantias, em apostar sem certeza,
em amar mesmo sabendo que o outro pode não ficar.
Não deu certo.
E, pela primeira vez, essa frase não soa como fracasso.
Ela soa como libertação.
Eu não me encolhi pra caber.
Não fingi leveza pra agradar.
Não medi palavras pra não assustar.
Fui o que sou: intensa, enorme, viva, entregue.
E se isso foi demais,
Porque eu não me defendi do amor.
Eu me permiti.
E há uma nobreza imensa nisso:
em sentir sem garantias, em apostar sem certeza,
em amar mesmo sabendo que o outro pode não ficar.
Não deu certo.
E, pela primeira vez, essa frase não soa como fracasso.
Ela soa como libertação.
Eu não me encolhi pra caber.
Não fingi leveza pra agradar.
Não medi palavras pra não assustar.
Fui o que sou: intensa, enorme, viva, entregue.
E se isso foi demais,
então “demais” é o melhor que eu poderia ter sido.
Hoje, recolho os cacos
são pedaços de uma mulher que ousou sentir,
que ousou acreditar,
que ousou se jogar de olhos fechados.
E sim, eu me espatifei.
Mas me espatifei com dignidade e bom humor.
E no meio do chão, entre o que era e o que quebrou,
descobri uma força bonita:
a de não precisar que o outro fique
pra eu continuar sendo inteira.
O amor acabou, mas o amor-próprio ficou.
E, dessa vez, ele não é consolo: é conquista.
Hoje não tem mais mensagem, não tem mais espera.
Só um silêncio calmo, cheio de sentido.
Porque, mesmo tendo terminado,
a história cumpriu o que prometeu:
me devolveu pra mim.
E se amar é se reconhecer no espelho depois de um tombo desses,
então eu me amo mais do que nunca.
Estou inteira.
Ainda que quebrada.
Fiel a mim.
E pronta pra recomeçar.
Hoje, recolho os cacos
são pedaços de uma mulher que ousou sentir,
que ousou acreditar,
que ousou se jogar de olhos fechados.
E sim, eu me espatifei.
Mas me espatifei com dignidade e bom humor.
E no meio do chão, entre o que era e o que quebrou,
descobri uma força bonita:
a de não precisar que o outro fique
pra eu continuar sendo inteira.
O amor acabou, mas o amor-próprio ficou.
E, dessa vez, ele não é consolo: é conquista.
Hoje não tem mais mensagem, não tem mais espera.
Só um silêncio calmo, cheio de sentido.
Porque, mesmo tendo terminado,
a história cumpriu o que prometeu:
me devolveu pra mim.
E se amar é se reconhecer no espelho depois de um tombo desses,
então eu me amo mais do que nunca.
Estou inteira.
Ainda que quebrada.
Fiel a mim.
E pronta pra recomeçar.
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