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Mostrando postagens de junho, 2026

Adeus (10/11/2025)

Tem algo se desfazendo dentro de mim. Não explode. Não grita. Não faz drama. Só se desmancha em silêncio, como quem entende,  enfim,  que o bonito também acaba. E não, não foi falta de amor. Foi excesso de lucidez. De perceber que o sentir, por mais verdadeiro que fosse, não bastava pra sustentar o encontro. Você me puxava, e eu ia. Mas, no instante seguinte, me empurrava e eu ficava ali, suspensa. Entre o quase e o nunca. Entre o toque e o vácuo. E o mais doido é que, por um tempo, eu acreditei. Acreditei que seu silêncio era calma, quando era fuga. Acreditei que seu jeito contido era profundidade, quando era medo. Acreditei que seu tempo era diferente, quando, na verdade, era desinteresse. Mas, veja, eu não me arrependo. Não mesmo. Eu fui inteira. Fui leve, fui honesta, fui corajosa. E quando percebi que já não tinha onde pousar, eu implorei por espaço:  mas voei . Doeu, sim. Mas doeu limpo. Sem culpa, sem raiva, sem precisar me odiar por ter sentido. Eu senti: e isso m...

Eu escolhi ficar

Eu estou feliz. E talvez esse seja o texto inteiro. Talvez eu não precise desenvolver nenhuma frase depois dessa. Mas eu quero. Ontem à noite, deitada na minha cama, depois do meu skincare, peguei meu diário para escrever sobre como o dia tinha sido incrível. E, enquanto escrevia, me peguei pensando não apenas no dia, mas na semana, no mês na vida e em quantas coisas eu tenho para agradecer. Em quantas pessoas eu tenho para agradecer. O mês de maio foi um dos mais desafiadores que vivi. Pessoas muito importantes na minha história se retiraram dela. Algumas despedidas foram inevitáveis, outras, bruscas. Todas doeram. Chorei por dias. Procurei respostas revisitando conversas, lembrando acontecimentos, tentando encontrar explicações onde talvez não existissem. Tive dificuldade de olhar fotos. Arquivei conversas. Ocultei lembranças. E continuei caminhando, alguns dias com muita dificuldade, outros com passos mais tranquilos... e em alguns momentos sendo carregada pelo amor de quem escolhe ...

Mudanças doces

Vejo um pouco de nostalgia e um pouco de surpresa quando olho para mim mesma ultimamente. Porque sempre me defini como aquela pessoa que cabia em qualquer mesa, em qualquer grupo, em qualquer bagunça. Sempre gostei de gente (ainda gosto). Mas eu amava o barulho, as conversas atravessadas, os encontros improvisados, a sensação de estar acontecendo alguma coisa o tempo todo.  E agora eu estou me estranhando. Não de um jeito ruim. Só de um jeito novo. Ando preferindo a minha casa. A minha cama. O meu canto. O meu silêncio e os meus livros. Minha bateria social, que antes parecia infinita, começou a descarregar mais rápido. Minha curiosidade por conhecer pessoas novas diminuiu. Aquele tesão que eu tinha por ambientes cheios, música alta e agendas lotadas está, aos poucos, cedendo espaço para outras vontades. E o mais curioso é que isso não aconteceu de uma hora para outra. Hoje consigo perceber que esse movimento começou lá pelo final de 2025. Na época eu não entendia muito bem. Achei ...

Querido diário

Eu ganhei um diário do meu ex e, ironicamente, foi um dos melhores presentes que já recebi. É curioso como alguém pode enxergar partes tão profundas de você, perceber suas nuances, seus medos, suas cicatrizes, e ainda assim não conseguir acreditar no amor que você oferece. Também é curioso que eu tenha começado 2026 com o desejo de me reconstruir. Não por fora. Por dentro. Rever estruturas antigas, questionar padrões, amadurecer partes de mim que há muito pediam atenção. E agora esse processo está sendo registrado justamente neste diário. Há algo de simbólico nisso. Porque as maiores mudanças que hoje percebo que preciso fazer nasceram, em grande parte, deste término. Não que eu já não estivesse em movimento antes. Eu estava. E talvez seja exatamente por isso que consigo enxergar agora coisas que antes passavam despercebidas. Algumas transformações já estavam acontecendo silenciosamente. O fim apenas trouxe luz para aquilo que eu já não podia mais ignorar. Foram muitos os incômodos que...

Me deixa sentir raiva (05/05/2026)

Me deixa sentir raiva de você. Me deixa dizer que os seus motivos não eram verdades absolutas, eram apenas a forma como você enxergava as coisas. Me deixa dizer que eu nunca tive a chance de responder. Que a sentença já estava pronta antes da conversa começar. Me deixa dizer que eu jamais fui desleixada com a nossa relação. Que eu me importei. Que eu tentei. Que eu estive ali mesmo quando era difícil. Me deixa brigar com a ideia de que eu não fazia nada pela sua insegurança. Porque eu ouvi, acolhi, expliquei, reafirmei, tranquilizei. E, ainda assim, parecia nunca ser suficiente. Me deixa gritar que eu não tinha o que fazer com uma ferida que não era minha. Que eu fiz tudo o que podia fazer sem deixar de existir. Me deixa dizer que o fato de você não acreditar no meu amor nunca significou que ele não existia. Me deixa questionar todas as vezes em que você me chamou de extraordinária. Porque é difícil entender como alguém pode admirar tanto uma pessoa e, depois, enxergar nela apenas defe...

Te encontrei numa folha em branco

Eu uso bloco de notas para escrever durante os meus dias de trabalho. Rabisco ideias. Faço listas. Anoto audiências, tarefas, pensamentos soltos. Talvez por isso eu nunca tenha dado muita importância aos blocos em si. Eles sempre foram apenas o lugar onde as coisas passavam. Recentemente, troquei o bloco que estava usando por um novo que estava guardado em uma gaveta aqui no escritório. Usei a primeira página normalmente. Mas quando virei para a segunda, me deparei com uma letra que provavelmente nunca mais vai escrever nada para mim. E com um recado que ele deixava em praticamente todos os blocos, papéis e cadernos que encontrava ao meu redor: "Pollyanna! Te adoro!!! Você é uma pessoa extraordinária!" É engraçado. Houve um tempo em que encontrar essas palavras era capaz de transformar o meu dia inteiro. Bastava olhar aquela letra redonda, familiar, e eu me sentia amada. Dessa vez não. Dessa vez elas não me fizeram sorrir. Só conseguiram desestabilizar um p...

Ciúme (09/11/25)

O ciúme é um veneno que não chega gritando. Ele se infiltra. Primeiro, uma coceira leve, uma dúvida, uma vontade de saber demais. Depois, vem o gosto amargo, o coração acelerado, o olhar que procura pistas até onde só há paz. O ciúme é aquele tipo de planta que nasce pequena, quase invisível, mas quando você percebe, já se enrolou nas paredes, subiu pelos móveis, tomou o ar da casa. E você, que achava que estava apenas cuidando do jardim, percebe que está sendo sufocada por ele. É ácido que corrói de dentro pra fora. Ele não destrói o outro, destrói quem sente. Faz a gente perder o juízo e o equilíbrio, transforma amor em vigilância, carinho em controle, cuidado em prisão. O ciúme é uma ferrugem: silenciosa, lenta, mas fatal. Primeiro atinge o brilho, depois consome a estrutura. E o mais perigoso é que, no começo, ele parece amor. Parece zelo, parece prova de que “se importa”. Mas amor que sufoca não é amor. É medo. Medo de perder, medo de não ser suficiente, medo de ser trocada. E o m...

Primavera

Com um ritual silencioso, encerro aqui este mês. Fecho a porta destes dias que me atravessaram. Dias de tempestade, de perguntas sem resposta, de esperas longas e despedidas difíceis. Dias que me ensinaram que nem toda dor vem para destruir; algumas vêm para revelar. Hoje eu solto. Solto os pesos que carreguei além da conta. Solto os vínculos que já cumpriram seu papel. Solto as histórias que insistiam em permanecer abertas dentro de mim. E peço o mais sincero e profundo perdão a todos que, de alguma forma, foram tocados pelos ventos que me habitaram nos últimos meses. Fiz o que pude. E talvez eu tenha podido muito pouco. Talvez minhas mãos cansadas não tenham alcançado tudo o que eu gostaria de salvar. Talvez minhas forças tenham sido menores do que as circunstâncias exigiam. Mas, ainda assim, entreguei o que tinha. Entreguei a verdade que eu conseguia sustentar naquele momento. Entreguei presença quando pude, coragem quando encontrei e amor mesmo quando ele parecia insuficiente. Não ...