Pular para o conteúdo principal

Nós (17/11/2025)

A gente é tão diferente e tão igual.
Você é sistemático e organizado.
Eu sou caótica e impulsiva.
Você é contido e controlado.
Eu sou uma explosão de fogo e vertigem.

Mas a verdade é que dentro de você tem um vulcão, 
um calor que cresce e queima tudo.
Você é controverso, contraditório… 
finge que não quer controlar, mas controla.
Finge que não quer queimar e incendeia.
E tem esse desejo secreto,
nem tão secreto assim,
pela minha rendição.

E eu, que sempre fui escandalosa, dona de mim…
me vejo sendo guiada, tomada, conduzida
de um jeito que não me diminui
me revela.
É tão delicioso que assusta.
Porque com você eu relaxo.
Eu me rendo.
Eu solto o peso do mundo sem culpa.

Você me incendeia, me instiga, me tira da rota
e ao mesmo tempo é brisa fresca.
É clareza.
É esse silêncio bom que abraça.
É essa sensação de lar que eu achava que nunca mais ia sentir.

E eu bagunço.
Bagunço sua cama, sua rotina, sua vida meticulosamente dobrada.
Te tiro do eixo, te faço sentir, 
te faço pulsar, te faço sorrir
te mostro que viver é se desordenar um pouco.

E ao seu lado eu durmo sem medo.
Ao seu lado não existe frio, 
nem alerta, 
nem aquela vigilância cansada de quem sempre teve que se proteger.
Com você existe entrega.
Entrega de quem sabe que encontrou um ninho.

E ao meu lado… você também descansa.
Você fica nu, sem máscara, sem armadura.
Você pega fogo e desarma o próprio corpo.
Você sai do alerta, do autocontrole, do cálculo
e enxerga um mundo que talvez nem imaginasse existir em você.

E nós dois juntos?
Somos o caos que acalma, o fogo que acolhe, o lar que incendeia.
Somos a contradição mais perfeita que eu já vivi
e a semelhança que me devolve pra casa.

Comentários

Mais Vistas

Jogando o Jogo do Contente

Ontem eu fiz todos os meus planos para a semana, mês, pro futuro.  Tava motivada a mudar o ritmo da minha vida. Recomeçar.  Acordei hoje arrasada.  Tive um segundo sonho com o Rafael. No primeiro, há uns dias, eu via ele através de um vidro, tentava alcança-lo mas ele não me via, não me ouvia, não me atendia... foi desesperador.  Neste ele terminava comigo, e eu implorava para que ele não fosse embora, não desistisse de nós, que poderíamos consertar qualquer coisa. Mas ele dizia que já era hora e que não dava mais. Ele tava chorando. E eu acordei com esse sentimento horrível com ele terminando comigo.  Minha psicologa disse que é meu inconsciente elaborando essa tragédia. Eu não sei dizer o que é. Só sei que eu acordo destruída. Com a sensação do fim pulsando no meu corpo. As lágrimas saltando dos meus olhos e a solidão me apunhalando o coração. O ar falta, o peito aperta, a dor é física e o pânico parece que vai tomar conta de tudo. Nas primeiras noites sem ele...

Quase 5 anos...

Hoje eu me dei conta de que vai fazer cinco anos. CINCO ANOS. Como assim, cinco anos? Já foram cinco carnavais sem ele. Cinco aniversários dele sem ele. Cinco Dias dos Namorados. Cinco Dias dos Pais. Quase cinco anos ouvindo “já faz tempo”, como se tempo fosse alguma coisa capaz de explicar a ausência. Logo serão cinco anos da nossa última viagem. Cinco natais. Cinco anos-novos. Cinco vezes janeiro chegando sem ele. Cinco aniversários sem ele me dar parabéns. E eu fico olhando para isso tudo com uma espécie de espanto. Porque, ao mesmo tempo em que parece que foi ontem, parece que aconteceu numa outra existência. E talvez tenha sido. Cinco anos são tempo suficiente para uma vida inteira caber dentro de outra. Aconteceu tanta coisa. Eu mudei. Minha filha cresceu. Meu trabalho mudou. Minha casa mudou. Meu corpo mudou. Eu me apaixonei de novo. Eu chorei de novo. Eu ri de verdade. Eu viajei. Eu fiz planos. Eu me perdi. Eu me encontrei algumas vezes. Eu virei uma mulher que ele nunca conhec...

Eu quero fazer as pazes comigo...

Durante muito tempo, achei que amadurecer significava nunca mais cometer o mesmo erro. Como se a vida entregasse uma prova, eu aprendesse a lição e, dali em diante, estivesse imune. Mas não é assim. A gente pode querer não errar. Mas a gente erra, muitas vezes, algumas no mesmo lugar, só que de um jeito diferente. E talvez seja exatamente aí que esteja a resposta (neste erro que se repete). A real é que eu só não errarei de novo, do mesmo jeito, quando eu deixar de ser quem eu sou.  Quando eu mudar o meu desejo. Mas, principalmente, eu só vou parar de errar se eu parar de desejar. Se eu parar de me envolver. Se eu parar de tentar. Se eu me esconder da vida. Se eu nunca mais confiar. Se eu desistir. Se eu escolher viver uma vida menor para nunca mais me decepcionar. Só que isso não é maturidade. Isso é medo. E existe uma diferença enorme entre aprender e endurecer. E eu não quero endurecer. Eu não quero me fechar para a dor porque isso é o mesmo que me fechar para a vida, para o bel...