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Eu não pedi nada (11/11/2025)

Hoje, se eu tivesse que escolher uma palavra, seria confusa.

Não daquela confusão barulhenta e visível, mas daquela que se instala em silêncio, que faz a alma tropeçar nos próprios passos e o coração querer parar no meio do caminho.

Acho que você me empurrou e me puxou tantas vezes que perdi o compasso. Fiquei ali, no meio, tentando entender se devia avançar ou recuar. Suas palavras me empurram pra longe, seus gestos me puxam pra perto. E eu, que estava tão serena, tão entregue, tão confiante de que podia fechar os olhos e simplesmente sentir... agora sinto medo.

Um medo feroz. Não de me machucar... já aprendi a costurar minhas feridas com a linha fina da experiência, mas medo de estar entregando muito. De estar sufocando. De estar passando do limite. De estar forçando algo que talvez nem exista. De estar tirando a sua liberdade.

Talvez eu realmente sinta demais. Talvez o que pra mim é entrega, pra você soe como excesso. Eu falo demais, gozo demais, quero demais, queimo demais. E você, tão contido, tão de longe, talvez só saiba lidar com o morno.

O engraçado é que eu não pedi nada. E mesmo assim você me negou. O que eu tinha era suficiente, era dadivoso. E mesmo assim, você quis me lembrar que era demais, pressionava demais, te obrigava a ser, te obrigava a sentir, te obrigava a fazer. E o engraçado é que eu não te pedi nada. Mas entendo que entreguei demais e isso te assustou. 

Às vezes eu acho que as pessoas não querem o real. Querem a versão polida do sentir. Querem o amor que posa bem na foto, que cabe nos stories, que não bagunça o cabelo nem o destino. Querem performance. Querem o texto bonito, o silêncio confortável, o romance com roteiro previsível. 

O verdadeiro, o cru, o que treme e escapa, esse, ninguém sabe o que fazer quando encontra.

E é por isso que, hoje, eu me recolho.
Não por falta de vontade, mas por exaustão.
Porque sentir comedido, pra mim, é como nadar contra corrente: uma hora o corpo cansa, a alma arde, e o peito entende que talvez seja hora de parar.
Então eu paro.
Devagar, sem barulho, sem drama.
Apenas me afasto. Ainda confusa, ainda sentindo, mas com o peso leve e triste de quem percebeu que talvez tenha mergulhado numa piscina rasa demais.

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