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Intervalo (09/2025)

Às vezes parece que é sobre o outro, 
mas no fundo acho que é sobre mim. 
Sobre o que restou de mim entre o que fui e o que quero ser. 

O passado me acena com uma lembrança bonita, 
um perfume antigo, 
uma história que quase foi. 

O presente me chama pra dançar, 
sem prometer nada, 
só o agora, só o que vibra. 

E eu, 
no meio, 
tentando decifrar o que é saudade 
e o que é vontade.

É como se eu estivesse em um cruzamento 
onde o tempo se dobra. 
De um lado, a menina que sonhava. 
Do outro, a mulher que cansou de sonhar. 
Eu olho pros dois caminhos e ambos me parecem familiares. 
Os dois têm cheiro de casa, 
e ao mesmo tempo, 
nenhum tem.

Tem algo em mim que quer ir, 
e outro tanto que quer ficar. 
E o pior é que não sei se quero ir com alguém, 
ou se quero só ir. 
Não sei se quero ser escolhida, 
ou se é hora de escolher. 
Às vezes penso que quero o conforto do que já conheço. 
Noutras, o risco do que ainda não entendo.

É estranho, porque não há certo. 
Não há errado. 
Há o coração batendo torto, 
há o corpo reagindo, 
há o medo de perder o que nem sei se quero. 
Há o vazio bonito de quem está prestes a mudar de pele.

Talvez eu só precise ficar aqui, 
confusa
sem resposta, 
sem decisão. 

Talvez o que quer que seja isso, 
seja exatamente esse intervalo entre o que já foi 
e o que ainda não começou.

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