Às vezes parece que é sobre o outro,
mas no fundo acho que é sobre mim.
Sobre o que restou de mim entre o que fui e o que quero ser.
um perfume antigo,
uma história que quase foi.
O presente me chama pra dançar,
sem prometer nada,
só o agora, só o que vibra.
E eu,
no meio,
tentando decifrar o que é saudade
e o que é vontade.
É como se eu estivesse em um cruzamento
É como se eu estivesse em um cruzamento
onde o tempo se dobra.
De um lado, a menina que sonhava.
Do outro, a mulher que cansou de sonhar.
Eu olho pros dois caminhos e ambos me parecem familiares.
Os dois têm cheiro de casa,
e ao mesmo tempo,
nenhum tem.
Tem algo em mim que quer ir,
Tem algo em mim que quer ir,
e outro tanto que quer ficar.
E o pior é que não sei se quero ir com alguém,
ou se quero só ir.
Não sei se quero ser escolhida,
ou se é hora de escolher.
Às vezes penso que quero o conforto do que já conheço.
Noutras, o risco do que ainda não entendo.
É estranho, porque não há certo.
É estranho, porque não há certo.
Não há errado.
Há o coração batendo torto,
há o corpo reagindo,
há o medo de perder o que nem sei se quero.
Há o vazio bonito de quem está prestes a mudar de pele.
Talvez eu só precise ficar aqui,
Talvez eu só precise ficar aqui,
confusa
sem resposta,
sem decisão.
Talvez o que quer que seja isso,
seja exatamente esse intervalo entre o que já foi
e o que ainda não começou.

Comentários
Postar um comentário
Fala comigo: