É um quase amor. Desses que te deixam suspensa no ar, sem chão, sem fôlego. Um quase que engana bem, que se disfarça de amor inteiro, que te olha nos olhos como se fosse ficar, mas nunca fica. É o tipo de amor que promete o mergulho, mas seca a piscina quando você pula.
É uma dança entre o calor e o frio. Ele se aproxima o bastante pra te fazer acreditar, pra te aquecer, pra te lembrar de como é bom ser desejada. E, no segundo seguinte, ele recua. Você fica lá, tremendo, com frio, tentando entender o que aconteceu. Tentando decifrar o que foi que você disse, o que fez errado, onde apertou demais.Mas não é você. É o quase. O quase sempre parece amor, porque vem com todos os gestos, todas as palavras certas, todas as pequenas provas que fazem o coração acreditar. O problema é que o quase nunca sustenta. O quase só existe enquanto te observa de longe, enquanto é desejo, enquanto é admiração. O quase te quer enquanto é possível fugir.
Você tenta se convencer de que vale a pena, que talvez se falar menos, se esperar mais, se não entregar tanto, dessa vez vai dar certo. Mas no fundo, sabe. Sabe que ele sempre vai estar um passo antes de pular e um passo depois de te perder.
E você, com o peito aberto, continua mergulhando nas promessas vazias, nas águas rasas. É viciada nesse susto, o da queda, o do impacto, o da falta de ar. Porque lá no fundo ainda existe a esperança tola de que um dia ele vai encher a piscina, vai te receber de braços abertos e dizer: “Agora sim, mergulha sem medo”.
Mas ele não vai. O quase amor nunca vira amor. Ele só te treina pra nadar no seco. Te ensina a respirar mesmo sem ar, a esperar mesmo sem promessa, a continuar acreditando mesmo quando já sabe que não há mais nada pra acreditar.
E o pior é que, mesmo sabendo disso, você ainda olha pra borda e pensa: talvez dessa vez tenha água.

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