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Nunca Mais (25/11/25)

Às vezes, a gente esquece quem é.
E é assim que eles vencem.

Não é preciso grito, tapa ou hematoma pra quebrar uma mulher por dentro.
Às vezes, basta uma frase repetida devagar, todos os dias:
“você não é suficiente.”

E quando vem disfarçada de cuidado… dói ainda mais.
Porque existe um tipo de abuso que é silencioso.
Que se infiltra devagar.
Que começa com uma crítica “sem maldade”,
depois vira piada,
depois vira hábito,
depois vira verdade.

É quando alguém que diz amar passa a medir o seu corpo, o seu valor, o seu futuro…
como se você fosse um objeto que ele pode avaliar, corrigir, descartar.
E você, já fragilizada, começa a acreditar.
Começa a achar que realmente não é bonita o suficiente, magra o suficiente, boa o suficiente.
Que ter filhos te tira valor.
Que estar cansada é defeito.
Que ter opinião é rebeldia.
Que ter limites é ingratidão.

E, quando você vê… você virou uma versão menor de quem era.
Pisando em ovos.
Pedindo desculpas até pelo ar que respira.
Implorando amor para quem ofereceu migalhas.

O ciclo é sempre o mesmo:
ele te destrói na sexta,
te abraça no domingo,
e você, sem perceber, passa a viver só na promessa da segunda.
Na esperança do homem que ele é entre as agressões 
não do homem que ele é o tempo todo.

Mas existe um momento, às vezes pequeno, às vezes devastador,
em que a consciência desperta.
É uma perguntinha sussurrada dentro da alma:
“Por que eu estou aceitando tão pouco?”

A resposta não vem de uma vez.
Ela vem em fragmentos:
um cansaço profundo,
um silêncio que deixa de ser paz e vira alerta,
um espelho que devolve um rosto que você não reconhece.

E um dia
às vezes sem planejamento, sem força, sem certeza
você vai.
Vai com medo mesmo.
Vai tremendo mesmo.
Vai sem saber como vai pagar as contas,
como vai explicar pros filhos,
como vai juntar os pedaços.
Mas vai.

E é aí que tudo muda.
Porque a mulher que sai de uma relação abusiva não é fraca.
Ela é gigantesca.
Ela precisou lutar contra um inimigo que morava dentro da própria cabeça 
plantado ali por alguém que se dizia amor.

E sobreviver a isso não é derrota.
É renascimento.
E é por isso que eu preciso te dizer:
Você não precisa aceitar.
Você não precisa mendigar afeto.
Você não precisa provar nada pra ninguém.

Você merece um amor que não te mede.
Que não te compara.
Que não te destrói pra depois fazer carinho.
Que não te dá presentes para esconder a culpa.
Que não te humilha para depois te chamar de exagerada.

Você merece um amor que te veja inteira
não um amor que te quebre pra caber no ego dele.

E, se hoje você ainda está nesse lugar escuro,
presa entre sair e voltar,
entre amor e medo,
entre esperança e culpa…
saiba disso:
Você não está louca.
Você não está sozinha.
Você não está presa.

Existe vida depois disso.
Existe paz depois disso.
Existe amor depois disso 
e o primeiro amor é o mais importante de todos:
o amor que você volta a sentir por si mesma.

E quando você lembrar quem é,
quando a sua força voltar,
quando a sua voz acordar,
quando você finalmente respirar de novo…
você vai se olhar no espelho e pensar:
“Como eu aguentei tanto?”
E logo em seguida:
“Nunca mais.”
olência contra a Mulher
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