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Carta para mim

Eu te observo daqui, e o que mais me dói é ver o quanto você tenta se consertar por causa de feridas que não são suas, insiste em achar que o problema está em você.
Como se seu sentir fosse errado.
Como se o seu jeito apaixonado e cheio de vida fosse um defeito de fabricação.
Mas não é. Nunca foi.

Você carrega um coração que sente o mundo inteiro, e isso assusta essa dimensão superficial na qual vivemos.
Você sente tudo de uma vez... e quer viver tudo agora. Quer a entrega, o toque e o olhar que reconhece. Quer sentir o universo girar dentro do peito.
Quer a calma depois da tormenta, o abraço que acolhe e o olhar que diz “fica”.

Mas o problema é que nem todo mundo tem coragem de mergulhar tão fundo em você. Tem gente que só quer nadar na superfície e foge assim que percebe que pode se afogar em algo verdadeiro.

E aí, você, com esse coração bonito, começa a duvidar de si e tenta se conter. Começa a achar que é demais, quando na verdade só é inteira.Vai se encolhendo, se diminuindo, tentando caber em lugares pequenos demais pra você.
Mas viver não é sobre caber. É sobre ser.
E você nasceu pra transbordar.

Não deixe que o cinismo do mundo te convença de que a sua intensidade é um defeito.
Não é. É força, é vida pulsando. É presença. É verdade.
E você não deve diminuir o volume da sua alma.
Se escute inteira. Se entenda no silêncio e se admire justamente por ser assim: viva demais, inteira demais, real demais.

Essa mulher que aparece quando você respira: forte, corajosa, viva, é a sua melhor versão. E ela precisa ser protegida, não podada.Você precisa lembrar que o lugar certo não te confunde.
O lugar certo te acalma, sem te diminuir.

Então, se os outros não souberem te amar na medida do seu sentir, não é você que precisa mudar. São os outros que ainda não aprenderam o tamanho do verbo amar.

Com amor...

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