Pular para o conteúdo principal

PERDENDO (08/2009)

O destino está nos pregando peças
Desenhando curvas em nossas retas
Escondendo você de mim
Tramando desencontros e o fim
O destino está desviando nosso caminho
Colocando em nossas flores, espinhos
Tirando as luzes de nossas cores
Vendando os olhos
Aumentando dores.
O destino está nos cortando as asas
Chovendo em nossas casas
Escurecendo nosso céu
Transformando tudo em fel.
O destino está te arrancando de meus braços
Colocando nuvens em seu rosto largo
Pintando dúvidas nos nossos abraços
Carimbando mágoas em nossos laços.
O destino está desfazendo as promessas
E as juras foram por terra
Todos os planos estão distantes demais
Perdidos nos sonhos
Soltos no ar
O destino está querendo te levar...
Te arrancando de mim
Pedaço por pedaço
Levando pra longe o melhor abraço
Apagando meu gosto dos seus lábios
E no fundo eu sei o que está acontecendo
Quero negar, fingir que não estou vendo
Acreditar na resolução do tempo
Dizer que o destino te levou com no vento
Mas você foi me ganhando
Enquanto eu ia te perdendo.

Comentários

Mais Vistas

A profecia (auto)realizável

Sabe aquela história de tentar evitar tanto uma coisa, que no fim é exatamente isso que faz ela acontecer? Pois é. O sociólogo Robert K. Merton deu nome pra esse enredo que a vida adora encenar: profecia autorrealizável. Em resumo, é quando a gente acredita tanto em algo — mesmo que falso — e age de tal forma pra evitá-lo, que acaba transformando a própria crença em realidade. Mas Merton, coitado, talvez não tenha imaginado que um dia essa teoria viraria manual de instruções da vida emocional moderna. Porque, convenhamos, a gente vive criando catástrofes antes delas existirem. Fazendo cálculos emocionais pra que nada saia do controle — e, ironicamente, é isso que nos tira do eixo. A gente se antecipa. Quer prever o imprevisível. Quer se proteger do que nem chegou. E nessa ânsia de escapar da dor, de evitar o fim, a gente constrói com as próprias mãos o exato caminho até ele: É o garoto que tem tanto medo de ser traído que começa a desconfiar de tudo, vasculhar sinais, procurar ausência...

A falta de controle

Você já parou pra pensar como a vida muda seu curso em um segundo? Do mais absoluto NADA. Um instante antes você está dentro da rotina, acreditando que tem um roteiro em mãos, que sabe a próxima cena. E, de repente, sem aviso, sem preparação: BOOMM! Tudo se desfaz. Você precisa recomeçar, refazer, assimilar… do nada. Um acidente, um adeus, uma doença. Do nada. E é aí que a vida nos revela sua crueldade e sua beleza: ela não pede licença, não dá prévia, não negocia. Ela simplesmente acontece. E, ainda assim, a gente insiste em acreditar que tem controle… e sofre pela ausência dele, como se essa ausência fosse falha, quando na verdade é a regra do jogo. A falta de controle é a lembrança mais cruel e mais bela da existência. Cruel porque nos arranca a ilusão de sermos donos do tempo, dos outros, até de nós mesmos. Bela porque, ao despir-nos dessa ilusão, nos devolve a verdade mais antiga: tudo é instante.  Heráclito já dizia que “ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque as águas ...

Ep. 19 - Não é charminho. É NÃO, mesmo!

Quantas vezes você já teve que dizer “não” até começarem a te levar a sério? Uma. Duas. Cinco. E o pior? Ainda sair como grossa. Nesse episódio eu falo sobre essa cultura absurda da insistência, sobre o mito do “charminho” feminino e sobre o que a psicologia explica quando alguém simplesmente não aceita o seu limite. Porque “não” não é desafio. Não é teste. E definitivamente não é convite. É limite. E limite merece respeito. Dá o play. 🎙️