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NAUFRÁGIO (1999)

O gosto que nunca senti
Volta a minha boca
O que nunca vi
Se impõe diante dos meus olhos.
A noite escura me atormenta
A tempestade que esquenta.
Eu chorei, confesso,
Mas não tenho mais nada para contar.

As mãos estendidas eram uma farsa
Quando as agarrei me foram retiradas.
A paixão só parte os corações infelizes
A solidão só ataca os corações machucados.
As forças se acabam
Depois de muito tentar...

O desabafo faz parte de um cenário instável
O qual busco com vigor...
A repressão me assusta...

O abandono é tão constante
Que só viver me satisfaz...
Procurei paz e liberdade,
Hoje vejo que sou mais uma peça
Da imunda carcaça desse navio naufragado
Dependente de carinhos e de afagos.

Esperança não morre,
Mas no fundo o receio de acreditar
Contorce meu coração
Que só queria escapar do naufrágio...

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