Pular para o conteúdo principal

Perder (24/10/07)

Não existe nada pior do que o gosto do fracasso. É amargo, ácido, gruda na língua, infecta a garganta, demora a ser engolido, digerido, esquecido... Ele faz com que a "coisa" perdida seja colocada em um pedestal intocável, dá a ela valor inestimável, torna seu sabor insubstituível, faz dela algo insubstituível...
Perder.
Tão natural quanto respirar. Mas nos enfraquece e desencoraja tão rapidamente, tira as certezas, nos confunde. Perder nos torna incopetentes, carentes, desperta as piores sensações.
E tentamos "por banca" de não estar sentindo nada, de "eu nem queria mesmo"... despeito, dor de cotovelo. Qdo na verdade deveríamos velar o difunto, enterrá-lo, ou cremá-lo, (prefiro cremar, encerra definitivamente)... deveríamos curtir o luto, vivenciar a perda em todos os seus bons e maus aspectos. Analisar todos os erros cometidos, refazer a tragetória, entender o pq do fim... Levar algumas flores ao túmulo, ou observar a a urna cheia, até finalmente derramar as últimas lágrimas, jogar as últimas flores, espalhar as cinzas no vento, e deixar esse vento limpar sua alma... levar todas as dores, arrependimentos, ressentimentos, para poder seguir com o aprendizado guardado, sem mágoas, sem nenhum tipo de sentimento.
E quando chegamos nesse estágio, ai sim, estamos prontos para ver brotar o novo, para cultivar o novo, para viver o novo...

Comentários

Mais Vistas

Meu santo avisou

Hoje eu tô arrasada. O Lula foi para o segundo turno em segundo lugar, temos o pior congresso da história e minha amiga de vinte anos, que já tinha parado de falar comigo, deixou de me seguir e eu nem sei por quê. Não sei. Não sei mesmo. E talvez seja isso que mais me irrite: não ter uma explicação. Cara… que merda. Que merda. Hoje eu tô com raiva, magoada, decepcionada, em luto pelo Brasil, em luto por uma amizade que eu nem sei exatamente porquê morreu e, de quebra, estou arrependida. Muito arrependida. Das escolhas que fiz no ano passado. Na verdade, de uma escolha. Uma escolha específica. 24/07/25. Eu consigo voltar para aquele dia na minha cabeça com uma nitidez quase irritante. E o pior é que meu santo avisou. Avisou bonito. Não faça. Não fique. Não. Não. Não. Não faça isso, Polly. E eu fui lá e fiz. Fiquei com o irmão dela. E dali para frente foi ladeira abaixo. É impressionante como, às vezes, uma escolha que parece pequena abre uma porta que a gente não faz ideia de onde vai d...

Quase 5 anos...

Hoje eu me dei conta de que vai fazer cinco anos. CINCO ANOS. Como assim, cinco anos? Já foram cinco carnavais sem ele. Cinco aniversários dele sem ele. Cinco Dias dos Namorados. Cinco Dias dos Pais. Quase cinco anos ouvindo “já faz tempo”, como se tempo fosse alguma coisa capaz de explicar a ausência. Logo serão cinco anos da nossa última viagem. Cinco natais. Cinco anos-novos. Cinco vezes janeiro chegando sem ele. Cinco aniversários sem ele me dar parabéns. E eu fico olhando para isso tudo com uma espécie de espanto. Porque, ao mesmo tempo em que parece que foi ontem, parece que aconteceu numa outra existência. E talvez tenha sido. Cinco anos são tempo suficiente para uma vida inteira caber dentro de outra. Aconteceu tanta coisa. Eu mudei. Minha filha cresceu. Meu trabalho mudou. Minha casa mudou. Meu corpo mudou. Eu me apaixonei de novo. Eu chorei de novo. Eu ri de verdade. Eu viajei. Eu fiz planos. Eu me perdi. Eu me encontrei algumas vezes. Eu virei uma mulher que ele nunca conhec...

Viver sem você é um ato de extrema coragem

 Viver sem você é um ato de extrema coragem. Acho que essa frase já diz tudo que precisa ser dito. Não necessita explicações ou complementos.  Mas eu tô aqui na sala de espera do consultório médico, sufocada, e a única coisa que me alivia é escrever. Escrever pra você.  Vindo pra cá eu vi uma moto igual a sua. O seu sonho. Na hora as lágrimas me tomaram. Meu coração sangrou.  Eu vivo tentando não focar no que perdi. Mas são tantas mudanças e tanta coisa que preciso deixar pra traz que é difícil manter o otimismo e o olhar pra frente. Tem hora que eu fraquejo também.  Cheguei no médico, os olhos encharcados, o rosto inchado. A pergunta: qual o estado civil?  Já ouvi essa pergunta inúmeras vezes e sinto meu coração se partir todas as vezes. As lágrimas voltaram e a voz saiu rouca: viúva.  O mundo é hostil para quem tem tantas boas lembranças quanto eu. Tudo traz você: um dia de sol, um dia frio, uma boa comida, um lugar que era nosso… Ontem a tarde, em c...