Pular para o conteúdo principal

Os olhos

Tudo ficou escuro e embaçado... eram lágrimas demais...
Os dedos tentavam inutilmente limpar os olhos, e os olhos tentava inutilmente enxergar...
As lágrimas nunca foram tão intensas e doloridas... escorriam pelos rosto como se fossem navalhas, cortando a carne... lembrando do quanto era idiota... lembrando de todos os erros... todas as curvas que não fez, todas as escolhas erradas que fez..
Mas tinha ainda seu orgulho... e aquele sorriso vencedor para exibir... mesmo porque no quarto escuro.. na noite infinita.. ninguém saberia das dores que sentia, dos erros que cometia...
Piscou... tentando secar as lágrimas... enxugando o rosto com as costas das mãos...
Aquele tempo bonito tinha ficado para trás... mais uma vez tinha acordado e visto seu mundo desmoronando em pedaços suaves... e decidiu fazer dessa vez o que nunca fizera... chutar tudo e esperar a dor ir embora... ou sofrer sozinha... o que seria muito melhor... chorar sozinha... sem expectativas, sem decepções... porque o q faz sofrer é conhecer o bom e depois descobrir que esse bom não é tão bom assim, então se você não tem o bom... como sentir falta?
Mas acho q resolvi me esconder meio tarde... porque já provei de tudo que quero.. e não consigo esquecer... nem um momento sequer... de todos os abraços que nunca gostei... de todos os beijos com os quais delirei... não esqueço de nada... cada palavra... cada segundo...
E hoje eu não queria começar de novo, não queria voltar..
Mas queria te conhecer outra vez... e começar do zero... com um sorriso tímido... um rotulo de cerveja e um beijo inesquecível...

Comentários

Mais Vistas

A ridícula ideia de nunca mais te ver

Hoje a minha gata derrubou um livro da prateleira. Não foi qualquer livro. Caiu justamente aquele que virou meu amuleto desde que o Rafael morreu: “A ridícula ideia de nunca mais te ver” , da Rosa Montero. Esse livro, que eu ganhei da prima do Rafael (que no meu coração sempre vai ser também a minha prima Nat) me acompanhou pelas ruas mais tortas do luto. Ele andou comigo quando eu mal conseguia andar sozinha. Tem um trecho em que a Rosa fala de Fernando Pessoa, daquele verso em que ele diz que “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. E então ela emenda: “talvez o escritor seja um sujeito mais ou menos louco, incapaz de sentir a própria dor se não fingir, ou se não construí-la com palavras. Com essas palavras que se combinam, que se completam, que nos consolam, que nos tornam minimamente calmos e conscientes de que ainda estamos vivos”. Eu li e pensei: é isso. É exatamente isso que eu faço aqui, neste blog. Aqui eu finjo a d...

Paz é parar de lutar contra a realidade

Tem uma fase do término que ninguém explica direito. A fase em que você já entendeu racionalmente que a relação acabou, que não fazia bem, que os dois estavam se machucando… mas emocionalmente ainda vive como se estivesse esperando alguma coisa voltar. Uma mensagem. Um arrependimento. Uma versão da história em que tudo finalmente faça sentido. E talvez o mais difícil de aceitar seja isso: algumas pessoas realmente conseguem ir embora sem olhar pra trás. Enquanto outras revisitam conversas, lembram de detalhes, tentam entender onde exatamente tudo desandou…  E eu acho que isso aconteceu com a gente. Perceber que o amor que eu sentia não existia aí do outro lado me quebrou inteira... mas a verdade é que você não gostava de mim, não o suficiente pra ficar. E você disse isso: "eu não te amo". Essa frase, esse momento, ficou ecoando na minha mente, em looping... acho que você nem precisava ter dito isso. Se você ia embora, porque ser tão cruel? Mas enfim... você já foi. E eu cont...

É minha culpa?

Tenho orgulho de mim. E talvez essa seja uma das frases mais difíceis que já precisei dizer olhando no espelho. Porque apesar de tudo… eu tô seguindo. Sigo trabalhando. Estudando. Treinando. Levantando da cama nos dias em que meu corpo parece feito de concreto e minha mente só quer silêncio. E eu até tive silêncio… um silêncio ensurdecedor do único lugar de onde eu queria ouvir alguma coisa. A Ana comentou que conversou com meu irmão, uns meses atrás, porque estava estranhando meu comportamento. Disse que eu sou uma pessoa falante… e que meu silêncio estava preocupando ela. Ela já sabia que algo tinha quebrado antes mesmo de eu perceber. Engraçado como quem realmente nos conhece… nos conhece. Tem gente que percebe quando o nosso riso muda de temperatura. Quando a gente pára de ocupar espaço. Quando começa a sobreviver baixinho. Eu tive momentos ruins pra caramba. Outros ainda piores. Mas também tive colo. O carinho das minhas amigas. A mão do meu irmão quando eu não conseguia andar...