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Obrigada por me conhecer e ficar

Obrigada por me conhecer e ficar*
É um agradecimento profundo, não é? 
É aquele reconhecimento raro, quase divino, por alguém que escolhe ficar, mesmo depois de invadir cada canto do seu ser. Alguém que olha você nos olhos e não recua ao ver o seu pior e o seu melhor; alguém que não desvia quando suas falhas estão expostas, nuas, vulneráveis.

Ler isso me impactou profundamente porque talvez seja a expressão mais sincera do amor. No fim, é isso o que buscamos: ser conhecidos e, ainda assim, ser escolhidos. Estar com alguém que não só nos vê, mas nos entende e não foge, não tenta nos moldar ou colocar em caixas confortáveis. Alguém que sente, com coragem, a intensidade do que somos.

Às vezes, ser intensa pode parecer uma sina, um erro, um traço grande demais para se carregar. Já ouvi tantas vezes que a minha intensidade assusta. Que é difícil acompanhar o ritmo dos meus pensamentos, dos meus sentimentos. As pessoas tentam me conter, me dizer como eu deveria ser. Tentam me encaixar, com medo de que o caos devore a todos.

Sábado, fui em uma roda de conversa e me dei conta de que a luta com essas caixas é diária. São as expectativas alheias, as tentativas de colocar limites em algo que, para mim, sempre foi sem fronteiras. Então, surge a grande dúvida: será que eu mesma consigo lidar com esse caos? Será que eu me conheço e escolho ficar comigo?

Porque a gente espera tanto ser escolhido por alguém, mas será que nos escolhemos primeiro? Será que, quando olho para mim mesma, consigo reconhecer meus lados sombrios e meus lados luminosos e dizer: “tá tudo bem, eu fico com você”? Eu não sei. Acho que ainda estou tentando descobrir.

A verdade é que, para que alguém nos conheça e escolha ficar, talvez o primeiro passo seja nós mesmas estarmos dispostas a encarar nossos próprios abismos. Talvez eu esteja aqui, ainda aprendendo a ser minha própria escolha.

*Autor Desconhecido

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