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Mostrando postagens de setembro, 2025

Ao redor do luto…

Dizem que o luto não acaba, a vida é que cresce ao redor dele. É como se fosse uma raiz invisível: está sempre ali, firme, silenciosa, mas a gente aprende a florescer mesmo assim. Hoje vi uma foto do Rafa, Duda e eu. A gente era tão lindo junto… sabe aquela família que combina? Os sorrisos, a mão dele na minha cintura. Ela na nossa frente… Como se a vida tivesse congelado em um instante perfeito. Às vezes eu me pego olhando essas fotos e pensando: será que a gente sabia, naquele momento, o quanto era feliz? Ou a gente só descobre depois, quando já não dá pra voltar? Outro dia olhei a primavera aqui de casa. Ela tava tão pequena quando ele se foi… hoje tá enorme. A amoreira nem dava amoras, e eu ainda não tinha plantado as paineras ou a jabuticabeira. E cada planta aqui carrega um pedaço da nossa história: algumas ele conheceu, outras só eu e a Duda vimos crescer. A natureza é uma testemunha do tempo — cresce sem pedir licença, mesmo quando a gente sente que ficou parada no mesmo ponto ...

A falta de controle

Você já parou pra pensar como a vida muda seu curso em um segundo? Do mais absoluto NADA. Um instante antes você está dentro da rotina, acreditando que tem um roteiro em mãos, que sabe a próxima cena. E, de repente, sem aviso, sem preparação: BOOMM! Tudo se desfaz. Você precisa recomeçar, refazer, assimilar… do nada. Um acidente, um adeus, uma doença. Do nada. E é aí que a vida nos revela sua crueldade e sua beleza: ela não pede licença, não dá prévia, não negocia. Ela simplesmente acontece. E, ainda assim, a gente insiste em acreditar que tem controle… e sofre pela ausência dele, como se essa ausência fosse falha, quando na verdade é a regra do jogo. A falta de controle é a lembrança mais cruel e mais bela da existência. Cruel porque nos arranca a ilusão de sermos donos do tempo, dos outros, até de nós mesmos. Bela porque, ao despir-nos dessa ilusão, nos devolve a verdade mais antiga: tudo é instante.  Heráclito já dizia que “ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque as águas ...

Gozar é um Ato Político

O prazer feminino é um ato político. Sempre foi. E, em certa medida, ainda é algo negado, silenciado, tratado como tabu.  Nosso corpo foi historicamente sexualizado: mas não para nós!!! Querem que sejamos objeto do desejo alheio, nunca donas do nosso próprio prazer.  Porque prazer é liberdade. E liberdade assusta. Não nos querem livres. Não nos querem sensuais para nós mesmas, não nos querem conscientes da potência que habita entre nossas pernas e pulsa em nossa pele.  Querem corpos domesticados, úteis, obedientes. Tão coisas que não importa se sentimos, importa apenas que sirvamos.  Podem nos bater, nos humilhar, nos controlar, nos exigir. O prazer feminino, para eles, é perigoso demais: porque rompe a corrente, porque revela um poder que não se deixa dominar. Mas livres somos. Apesar de tudo. Somos donas de nós, ainda que tenham tentado nos roubar isso de todas as formas. Aprendemos a transformar nosso corpo em território de luta, em bandeira de guerra, mas também ...

Por enquanto, é aqui que quero estar... (09/09/2025)

É tão engraçado quando você conhece alguém com quem quer falar o tempo todo. Parece que tudo pode virar pauta, piada, filosofia.  Ontem eu dormi escutando o Ministro Flávio Dino dando seu voto, mas a verdade é que eu queria ter dormido, de novo, com a sua voz, contando qualquer coisa que minha mente nem ouvia mais... só sentia. Eu confesso: estou assustada. Eu não queria e não esperava... nem as horas de conversa que me atravessam e depois se perdem sem eu conseguir destrinchar, nem o sexo que me rouba a alma e o ar. Eu não sei o que estamos fazendo. É estranho não querer me comprometer com nada e, ao mesmo tempo, querer tanto me enroscar em você. Há quem diga que estou com medo, há quem diga que estou fugindo. Eu não me sinto assim, mas também não sei dizer o que é que estamos construindo. Só sei que com você o tempo para, gira de outro jeito... Minha ansiedade, minha velha mania de querer fugir, simplesmente desaparecem, e eu só quero ficar. Ficar sentindo suas mãos no meu corpo,...