Talvez as coisas estejam finalmente chegando ao seu lugar
Que talvez seja lugar algum
Depois da curva do vazio
Talvez meu coração se cale
E os gritos
A dor
E os gemidos
Tornem-se uma parte escura da estrada.
Talvez as coisas estejam finalmente chegando em seu lugar
Mesmo que o lugar seja um lugar cinzento
Sem música e cores vibrantes
Sem apelos e paixões inconstantes
E sem dor
E sem sabor.
Porque nem eu sei como cheguei até aqui
Não sei qual curva eu virei sem perceber
Eu sei que andei mesmo sem querer,
Eu sei que vi chover...
E de repente eu estava nesta estrada
Que não sei onde leva? Se me leva?
Estou enganada!
Estou perdida caminhando por lugar nenhum
Querendo chegar ao meu paraíso
Pelo caminho do incomum...
Sei que de tanto andar por essas curvas
Percebo agora na encruzilhada
Que talvez a coisa certa
Seja sair desta amada estrada
Seja, realmente, abandonar esse sonho
Seja encarar que as coisas são... Como são
E que talvez estejam finalmente em seu lugar...
Hoje eu tô arrasada. O Lula foi para o segundo turno em segundo lugar, temos o pior congresso da história e minha amiga de vinte anos, que já tinha parado de falar comigo, deixou de me seguir e eu nem sei por quê. Não sei. Não sei mesmo. E talvez seja isso que mais me irrite: não ter uma explicação. Cara… que merda. Que merda. Hoje eu tô com raiva, magoada, decepcionada, em luto pelo Brasil, em luto por uma amizade que eu nem sei exatamente porquê morreu e, de quebra, estou arrependida. Muito arrependida. Das escolhas que fiz no ano passado. Na verdade, de uma escolha. Uma escolha específica. 24/07/25. Eu consigo voltar para aquele dia na minha cabeça com uma nitidez quase irritante. E o pior é que meu santo avisou. Avisou bonito. Não faça. Não fique. Não. Não. Não. Não faça isso, Polly. E eu fui lá e fiz. Fiquei com o irmão dela. E dali para frente foi ladeira abaixo. É impressionante como, às vezes, uma escolha que parece pequena abre uma porta que a gente não faz ideia de onde vai d...

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