Talvez as coisas estejam finalmente chegando ao seu lugar
Que talvez seja lugar algum
Depois da curva do vazio
Talvez meu coração se cale
E os gritos
A dor
E os gemidos
Tornem-se uma parte escura da estrada.
Talvez as coisas estejam finalmente chegando em seu lugar
Mesmo que o lugar seja um lugar cinzento
Sem música e cores vibrantes
Sem apelos e paixões inconstantes
E sem dor
E sem sabor.
Porque nem eu sei como cheguei até aqui
Não sei qual curva eu virei sem perceber
Eu sei que andei mesmo sem querer,
Eu sei que vi chover...
E de repente eu estava nesta estrada
Que não sei onde leva? Se me leva?
Estou enganada!
Estou perdida caminhando por lugar nenhum
Querendo chegar ao meu paraíso
Pelo caminho do incomum...
Sei que de tanto andar por essas curvas
Percebo agora na encruzilhada
Que talvez a coisa certa
Seja sair desta amada estrada
Seja, realmente, abandonar esse sonho
Seja encarar que as coisas são... Como são
E que talvez estejam finalmente em seu lugar...
Ontem eu fiz todos os meus planos para a semana, mês, pro futuro. Tava motivada a mudar o ritmo da minha vida. Recomeçar. Acordei hoje arrasada. Tive um segundo sonho com o Rafael. No primeiro, há uns dias, eu via ele através de um vidro, tentava alcança-lo mas ele não me via, não me ouvia, não me atendia... foi desesperador. Neste ele terminava comigo, e eu implorava para que ele não fosse embora, não desistisse de nós, que poderíamos consertar qualquer coisa. Mas ele dizia que já era hora e que não dava mais. Ele tava chorando. E eu acordei com esse sentimento horrível com ele terminando comigo. Minha psicologa disse que é meu inconsciente elaborando essa tragédia. Eu não sei dizer o que é. Só sei que eu acordo destruída. Com a sensação do fim pulsando no meu corpo. As lágrimas saltando dos meus olhos e a solidão me apunhalando o coração. O ar falta, o peito aperta, a dor é física e o pânico parece que vai tomar conta de tudo. Nas primeiras noites sem ele...

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