Pra você respirar, eu tô ficando sem ar. Como se cada vez que você abrisse a janela, eu fosse o vento que escapa. Como se o seu suspiro precisasse do meu fôlego pra existir e, no fim, quem se asfixia sou eu. É estranho esse amor que parece maré: vem cheio, intenso, cobre tudo, e quando vai, deixa conchas vazias nas minhas mãos. Eu aprendi a reconhecer o som do seu afastamento é o mesmo som do ar rarefeito antes da tempestade, quando o silêncio grita e o corpo entende o que a razão nega. Pra você respirar, eu diminuo. Faço o barulho cessar, guardo as palavras, escondo o que sinto pra não te assustar. Mas o que acontece com quem vive se encolhendo pra caber no peito alheio? Um dia falta espaço pra existir, e sobra vontade de sumir. Eu já tentei ser brisa, pra não ser vendaval. Já tentei ser calma, pra não ser intensidade. Mas tem coisa que é da natureza: a flor nasce aberta, o rio corre fundo, e eu, eu amo demais. Você chama isso de pressão, mas não entende que pra mim é sobrevivên...
🖤Transformando o limão mais amargo em algo parecido com uma limonada. Quando adolescente eu escrevia um diário em um caderno de capa amarela... o meu bote salva-vidas…🖤