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Flores que nascem no entulho (11/10/25)

Hoje percebi que meus passos já conhecem rotas que eu nem planejo. 
Nos cantos da memória, cães latem lembranças: vozes e risos que desapareceram.
Mas aprendi a caminhar com o silêncio ao meu lado
a escutá-lo sem medo, sem pressa.

Dói, sim
como um espinho em carne viva 
mas também me ensina quem eu sou quando nada mais resta para me definir.

Cultivei uma nova intimidade comigo:
acordar sem buscar outro olhar, dormir sem esperar abraço,
escrever sem esperar aplauso.

Porque há vida no que resta. 
E quando menos se espera…
flores nascem no entulho da perda.
E embora ferida, sigo inteira
pois cada gemido que escapa é um ato de liberdade.

Meu presente é nossa respiração: lenta, ofegante, orgulhosa.
E é por ela que eu existo 
hoje, com todas as minhas cicatrizes.

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