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Eu quero fazer as pazes comigo...

Durante muito tempo, achei que amadurecer significava nunca mais cometer o mesmo erro. Como se a vida entregasse uma prova, eu aprendesse a lição e, dali em diante, estivesse imune.
Mas não é assim. A gente pode querer não errar. Mas a gente erra, muitas vezes, algumas no mesmo lugar, só que de um jeito diferente. E talvez seja exatamente aí que esteja a resposta (neste erro que se repete).

A real é que eu só não errarei de novo, do mesmo jeito, quando eu deixar de ser quem eu sou.  Quando eu mudar o meu desejo. Mas, principalmente, eu só vou parar de errar se eu parar de desejar. Se eu parar de me envolver. Se eu parar de tentar. Se eu me esconder da vida. Se eu nunca mais confiar. Se eu desistir. Se eu escolher viver uma vida menor para nunca mais me decepcionar.

Só que isso não é maturidade. Isso é medo. E existe uma diferença enorme entre aprender e endurecer. E eu não quero endurecer. Eu não quero me fechar para a dor porque isso é o mesmo que me fechar para a vida, para o belo, para as possibilidades. 

Hoje eu consigo olhar para trás com um pouco mais de gentileza... pois todas as escolhas que eu fiz foram as melhores escolhas que eu era capaz de fazer naquele momento. Com a consciência que eu tinha, com as ferramentas que eu possuía, com as dores, os afetos e as faltas que carregava.

Julgar quem eu fui ontem com a lucidez que só existe hoje é um julgamento em que eu jamais teria chance de defesa.

Por isso não devemos dar tanto poder ao erro. A gente transforma o erro numa identidade. Como se ele dissesse quem somos. Mas errar não diz quem eu sou. Só diz que eu tive coragem de viver. E isso é imenso de bonito.

Porque viver é apostar. 
Desejar é apostar. 
Você nunca sabe se vai dar certo. Nunca existe garantia de que o amor será correspondido, de que o projeto vai prosperar, de que a amizade será para sempre. Existe apenas a disposição de colocar o coração em movimento, sabendo que o risco faz parte do pacote.

Se você não estiver disposta a errar, também não estará disposta a viver.
Não vai aprender. Não vai crescer. Não vai se expandir. Não vai amar.
Vai apenas (e pobremente) sobreviver.

E talvez esse seja um dos maiores desperdícios da vida: passar anos tentando ser uma versão "correta" de nós mesmos, em vez de experimentar, de verdade, quem somos.

Apenas administrar riscos até o fim da vida me parece muito mais triste do que qualquer erro. 

Até porque ninguém sabe exatamente o que está fazendo. Está todo mundo vivendo pela primeira vez. Sem manual, sem roteiro, sem segundas chances.

E, ainda assim, insistimos em transformar o passado num tribunal, onde cada erro vira prova contra nós. Transformamos o futuro numa promessa de que um dia tudo dará certo. E, no meio disso, perdemos o presente, presos num eterno planejamento de uma vida que nunca se realiza.

Pois a vida não acontece quando a gente finalmente aprende.
A vida acontece enquanto a gente aprende.

Ela exige movimento. Exige coragem para escolher sem garantias. Exige humildade para reconhecer os próprios tropeços e gentileza para entender que eles não anulam quem somos.

Então, hoje, eu escolho fazer as pazes comigo.
Não porque eu acertei tudo.
Mas porque, apesar dos erros, eu continuei vivendo.
E é isso que, no fim das contas, importa.

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