Pular para o conteúdo principal

Saudade

Existe uma diferença enorme entre desistir de alguém e respeitar o tempo dessa pessoa.
Faz um mês que eu não converso com uma grande amiga. 

Um mês parece pouco até você perceber quantas vezes, em trinta dias, acontece alguma coisa que você gostaria de contar. Quantas piadas só ela entenderia. Quantos memes você quase encaminha por impulso. Quantas vezes o dedo quase aperta “enviar” antes da razão lembrar que existe um silêncio que precisa ser respeitado.

Ela pediu espaço.
E, por mais difícil que seja, o meu papel agora é dar.

Acho que é isso que a amizade adulta ensina e ninguém nos prepara para aprender: amar alguém nem sempre significa estar perto. Às vezes significa justamente suportar a distância sem transformá-la em invasão.

Existe uma parte de mim que teme que esse espaço nunca termine. Que um dia eu descubra que aquela conversa foi, sem que eu soubesse, a última. Esse pensamento dói de um jeito silencioso. Não porque eu ache que o amor acabou, mas porque não sei o que o tempo fará com ele.

A saudade continua aqui. Ela aparece nos detalhes mais banais do dia, como fazem todas as relações importantes. Ela me lembra que existiu, e talvez ainda exista, uma amizade bonita, construída com tempo, afeto e presença.

E eu gosto de pensar que o silêncio não apaga o que foi verdadeiro.

Respeitar esse espaço não diminui a minha saudade. Mas preserva aquilo que sempre fez essa amizade merecer esse nome: o amor.

Comentários

Mais Vistas

Quase 5 anos...

Hoje eu me dei conta de que vai fazer cinco anos. CINCO ANOS. Como assim, cinco anos? Já foram cinco carnavais sem ele. Cinco aniversários dele sem ele. Cinco Dias dos Namorados. Cinco Dias dos Pais. Quase cinco anos ouvindo “já faz tempo”, como se tempo fosse alguma coisa capaz de explicar a ausência. Logo serão cinco anos da nossa última viagem. Cinco natais. Cinco anos-novos. Cinco vezes janeiro chegando sem ele. Cinco aniversários sem ele me dar parabéns. E eu fico olhando para isso tudo com uma espécie de espanto. Porque, ao mesmo tempo em que parece que foi ontem, parece que aconteceu numa outra existência. E talvez tenha sido. Cinco anos são tempo suficiente para uma vida inteira caber dentro de outra. Aconteceu tanta coisa. Eu mudei. Minha filha cresceu. Meu trabalho mudou. Minha casa mudou. Meu corpo mudou. Eu me apaixonei de novo. Eu chorei de novo. Eu ri de verdade. Eu viajei. Eu fiz planos. Eu me perdi. Eu me encontrei algumas vezes. Eu virei uma mulher que ele nunca conhec...

Jogando o Jogo do Contente

Ontem eu fiz todos os meus planos para a semana, mês, pro futuro.  Tava motivada a mudar o ritmo da minha vida. Recomeçar.  Acordei hoje arrasada.  Tive um segundo sonho com o Rafael. No primeiro, há uns dias, eu via ele através de um vidro, tentava alcança-lo mas ele não me via, não me ouvia, não me atendia... foi desesperador.  Neste ele terminava comigo, e eu implorava para que ele não fosse embora, não desistisse de nós, que poderíamos consertar qualquer coisa. Mas ele dizia que já era hora e que não dava mais. Ele tava chorando. E eu acordei com esse sentimento horrível com ele terminando comigo.  Minha psicologa disse que é meu inconsciente elaborando essa tragédia. Eu não sei dizer o que é. Só sei que eu acordo destruída. Com a sensação do fim pulsando no meu corpo. As lágrimas saltando dos meus olhos e a solidão me apunhalando o coração. O ar falta, o peito aperta, a dor é física e o pânico parece que vai tomar conta de tudo. Nas primeiras noites sem ele...

Meu santo avisou

Hoje eu tô arrasada. O Lula foi para o segundo turno em segundo lugar, temos o pior congresso da história e minha amiga de vinte anos, que já tinha parado de falar comigo, deixou de me seguir e eu nem sei por quê. Não sei. Não sei mesmo. E talvez seja isso que mais me irrite: não ter uma explicação. Cara… que merda. Que merda. Hoje eu tô com raiva, magoada, decepcionada, em luto pelo Brasil, em luto por uma amizade que eu nem sei exatamente porquê morreu e, de quebra, estou arrependida. Muito arrependida. Das escolhas que fiz no ano passado. Na verdade, de uma escolha. Uma escolha específica. 24/07/25. Eu consigo voltar para aquele dia na minha cabeça com uma nitidez quase irritante. E o pior é que meu santo avisou. Avisou bonito. Não faça. Não fique. Não. Não. Não. Não faça isso, Polly. E eu fui lá e fiz. Fiquei com o irmão dela. E dali para frente foi ladeira abaixo. É impressionante como, às vezes, uma escolha que parece pequena abre uma porta que a gente não faz ideia de onde vai d...