Pular para o conteúdo principal

Eu sem você


 Meu amor, 

Onde vc termina e eu começo? 

Quem sou eu sem vc?

O q vem agora? Quais os planos? 

São tantas perguntas sem respostas… 

Me disseram q terei q me reinventar sem vc. Me reinventar. 

Vc era bom nisso. 

Vc gostava de mudanças, de criar, de mexer. Era inquieto. 

Eu já gostava das coisas do mesmo jeito, sem mudanças, sem novidades. 

Agora me diz: como eu vou lidar com isso? 

Pq nós tínhamos um plano. O plano era envelhecer juntos e agora eu vou ter q me virar por aqui sem vc! Como? 

Rafa, meu Fael, eu te amo tanto! E tá doendo tanto! 

Dormir sem o meu cantinho tá impossível. A respiração chega a falhar. 

Eu sei q preciso, e por vc eu vou, me reinventar. Mas preciso da sua ajuda pra isso também, pq eu não faço ideia de quem eu posso ser sem vc. E eu não queria ter q descobrir. 

Os sentimentos são tão confusos e estranhos: ora eu estou grata por ter estado com vc ainda q por pouco tempo, ora eu estou muito chateada por ter sido tão pouco tempo! 

Eu agora estou muito chateada. 

Eu queria mais, mais de vc, mais de nós, mais tempo. Eu precisava de mais tempo. 

Seu cheiro tá na casa toda. 

Eu ando pela casa com sua blusa, e apesar da dor é o que me mantém de pé. Sentir seu cheiro, brincar com nossos cachorros, andar pela nossa casa, planejar como vou realizar nossos sonhos e terminar nossos projetos. É isso q me dá força. 

Nessa minha reinvenção, sei q muito de vc ainda vai ficar em mim, pq eu não quero largar. Não quero largar a pessoa q vc me ajudou a me tornar. Não quero largar nossas manias. Não quero largar nossos planos, não quero largar nada do que você trouxe pra minha vida: pois só assim vou honrar seu nome e seu legado. E sei q só assim vou ser capaz de me reconstruir dos cacos disso tudo, e me reinventar. 

Apesar do desabafo, meu amor, fica tranquilo, fica em paz. Eu vou precisar de tempo, MAS EU VOU CONSEGUIR. Pq era assim que vc era: vc não desistia e vc sempre fazia o q tinha q ser feito. É nisso q eu tô me agarrando. 

O buraco q vc deixou na minha vida, no meu coração e na minha alma é imenso. E eu sei q ele não vai diminuir. Mas eu vou preencher esse vazio enorme com sua força e vou me reconstruir nele. Eu sei q era o q vc iria querer pra mim.


Comentários

Mais Vistas

A profecia (auto)realizável

Sabe aquela história de tentar evitar tanto uma coisa, que no fim é exatamente isso que faz ela acontecer? Pois é. O sociólogo Robert K. Merton deu nome pra esse enredo que a vida adora encenar: profecia autorrealizável. Em resumo, é quando a gente acredita tanto em algo — mesmo que falso — e age de tal forma pra evitá-lo, que acaba transformando a própria crença em realidade. Mas Merton, coitado, talvez não tenha imaginado que um dia essa teoria viraria manual de instruções da vida emocional moderna. Porque, convenhamos, a gente vive criando catástrofes antes delas existirem. Fazendo cálculos emocionais pra que nada saia do controle — e, ironicamente, é isso que nos tira do eixo. A gente se antecipa. Quer prever o imprevisível. Quer se proteger do que nem chegou. E nessa ânsia de escapar da dor, de evitar o fim, a gente constrói com as próprias mãos o exato caminho até ele: É o garoto que tem tanto medo de ser traído que começa a desconfiar de tudo, vasculhar sinais, procurar ausência...

A falta de controle

Você já parou pra pensar como a vida muda seu curso em um segundo? Do mais absoluto NADA. Um instante antes você está dentro da rotina, acreditando que tem um roteiro em mãos, que sabe a próxima cena. E, de repente, sem aviso, sem preparação: BOOMM! Tudo se desfaz. Você precisa recomeçar, refazer, assimilar… do nada. Um acidente, um adeus, uma doença. Do nada. E é aí que a vida nos revela sua crueldade e sua beleza: ela não pede licença, não dá prévia, não negocia. Ela simplesmente acontece. E, ainda assim, a gente insiste em acreditar que tem controle… e sofre pela ausência dele, como se essa ausência fosse falha, quando na verdade é a regra do jogo. A falta de controle é a lembrança mais cruel e mais bela da existência. Cruel porque nos arranca a ilusão de sermos donos do tempo, dos outros, até de nós mesmos. Bela porque, ao despir-nos dessa ilusão, nos devolve a verdade mais antiga: tudo é instante.  Heráclito já dizia que “ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque as águas ...

Ep. 19 - Não é charminho. É NÃO, mesmo!

Quantas vezes você já teve que dizer “não” até começarem a te levar a sério? Uma. Duas. Cinco. E o pior? Ainda sair como grossa. Nesse episódio eu falo sobre essa cultura absurda da insistência, sobre o mito do “charminho” feminino e sobre o que a psicologia explica quando alguém simplesmente não aceita o seu limite. Porque “não” não é desafio. Não é teste. E definitivamente não é convite. É limite. E limite merece respeito. Dá o play. 🎙️