Pular para o conteúdo principal

Está chovendo muito... (2007)

Tá chovendo muito... uma chuva grossa... boa para lavar a alma, eu estou com calor e com frio... e com saudade de você... muitra saudade de você... E de repente tudo voltou a ser como antes - minha cabeça dando voltas em torno de você, meu corpo esperando seu toque, meus lábios chamando teu nome, meus olhos procurando seus olhos. Está chovendo muito e eu estou ocupanda com a chuva... as gotas caindo fortes e duras... as gotas, os passos, a chuva. E não posso fechar os olhos pois vejo de novo seus lábios, seu cabelo desarrumando, seu corpo suado, no meu colado... Não posso fechar os olhos pois sinto seu cheiro bom e ouço sua voz rouca, seu suspiro por minha boca... nossas mãos loucas... Parece que já faz tanto tempo que você foi embora, parece que você demora, tá fazendo hora... enquanto eu espero, olhando cada minuto que passou, sonhando o sonho que não acabou. E cada segundo com você parece em mim tatuado, cada palavra se repetindo como se gravado e seu olhar me devorando... nos meus olhos estampado... A cabeça voa, os problemas, o trabalho, é muita coisa, mas entre suspiros, surge seu rosto e aquele gosto gostoso... e sinto em minhas mãos sua pele quente, que me adormece a mente, seu beijo envolvente, que até agora formiga minha boca, seu abraço forte, a proteção...
Eu nunca gostei de chamegos, nunca tive paciência para dengos bobos, o abraço me incomodava, mas com você o gosto é diferente, o cheiro é quente, o beijo é envolvente - será que é isso que você sente?
É engraçado, mas quero você de novo. quero tocar seu rosto, olhar seus olhos, sentir seu gosto - intenso, invasor, absoluto.
Quero você absoluto.

Comentários

Mais Vistas

A ridícula ideia de nunca mais te ver

Hoje a minha gata derrubou um livro da prateleira. Não foi qualquer livro. Caiu justamente aquele que virou meu amuleto desde que o Rafael morreu: “A ridícula ideia de nunca mais te ver” , da Rosa Montero. Esse livro, que eu ganhei da prima do Rafael (que no meu coração sempre vai ser também a minha prima Nat) me acompanhou pelas ruas mais tortas do luto. Ele andou comigo quando eu mal conseguia andar sozinha. Tem um trecho em que a Rosa fala de Fernando Pessoa, daquele verso em que ele diz que “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. E então ela emenda: “talvez o escritor seja um sujeito mais ou menos louco, incapaz de sentir a própria dor se não fingir, ou se não construí-la com palavras. Com essas palavras que se combinam, que se completam, que nos consolam, que nos tornam minimamente calmos e conscientes de que ainda estamos vivos”. Eu li e pensei: é isso. É exatamente isso que eu faço aqui, neste blog. Aqui eu finjo a d...

Paz é parar de lutar contra a realidade

Tem uma fase do término que ninguém explica direito. A fase em que você já entendeu racionalmente que a relação acabou, que não fazia bem, que os dois estavam se machucando… mas emocionalmente ainda vive como se estivesse esperando alguma coisa voltar. Uma mensagem. Um arrependimento. Uma versão da história em que tudo finalmente faça sentido. E talvez o mais difícil de aceitar seja isso: algumas pessoas realmente conseguem ir embora sem olhar pra trás. Enquanto outras revisitam conversas, lembram de detalhes, tentam entender onde exatamente tudo desandou…  E eu acho que isso aconteceu com a gente. Perceber que o amor que eu sentia não existia aí do outro lado me quebrou inteira... mas a verdade é que você não gostava de mim, não o suficiente pra ficar. E você disse isso: "eu não te amo". Essa frase, esse momento, ficou ecoando na minha mente, em looping... acho que você nem precisava ter dito isso. Se você ia embora, porque ser tão cruel? Mas enfim... você já foi. E eu cont...

É minha culpa?

Tenho orgulho de mim. E talvez essa seja uma das frases mais difíceis que já precisei dizer olhando no espelho. Porque apesar de tudo… eu tô seguindo. Sigo trabalhando. Estudando. Treinando. Levantando da cama nos dias em que meu corpo parece feito de concreto e minha mente só quer silêncio. E eu até tive silêncio… um silêncio ensurdecedor do único lugar de onde eu queria ouvir alguma coisa. A Ana comentou que conversou com meu irmão, uns meses atrás, porque estava estranhando meu comportamento. Disse que eu sou uma pessoa falante… e que meu silêncio estava preocupando ela. Ela já sabia que algo tinha quebrado antes mesmo de eu perceber. Engraçado como quem realmente nos conhece… nos conhece. Tem gente que percebe quando o nosso riso muda de temperatura. Quando a gente pára de ocupar espaço. Quando começa a sobreviver baixinho. Eu tive momentos ruins pra caramba. Outros ainda piores. Mas também tive colo. O carinho das minhas amigas. A mão do meu irmão quando eu não conseguia andar...