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Primeiro pensamento do dia

O que mais me impressiona nisso tudo é a sua capacidade de ir embora e nunca mais olhar pra trás. 
Porque eu não consigo entender como alguém divide a vida com outra pessoa por quase um ano, conhece os hábitos, as manias, os sonhos, dorme abraçado, faz planos, cria rotina… e depois simplesmente desaparece. 

Sem recaída.  
Sem dúvida.  
Sem querer saber como eu estou.  
Sem feliz dia das mães.
Sem nada.

Como você conseguiu ser tão forte? 
Porque eu não consegui. Eu não consigo.
Você ainda é meu primeiro pensamento quando eu acordo e o último antes de dormir. Às vezes eu passo o dia inteiro aparentemente bem, funcionando, trabalhando, rindo… e de repente alguma coisa me atravessa. Uma música. Um horário. Um silêncio. E lá está você de novo. 
E isso me enlouquece um pouco. 
Porque racionalmente eu sei que nossa relação estava ficando pesada. Confusa. Desgastada. Eu sei que a gente estava se machucando. Sei que havia ciúme, controle, cobranças, mágoas acumuladas.  
Então por que eu ainda sinto tanta falta? 
Meu irmão disse uma coisa que ficou ecoando dentro de mim: “ele não gostava de você. Não o suficiente pra ficar.” 
E talvez a coisa mais honesta que você já tenha me dito tenha sido, quando eu disse “eu te amo” e você respondeu: “eu não te amo.” 
Eu lembro da sensação exata. Como se alguma coisa tivesse rachado dentro de mim naquele instante. 
Porque o amor, pra mim, ainda estava ali. Mesmo cansado. Mesmo ferido. Mesmo sufocado pelos nossos problemas. 
O meu ainda estava. 
E talvez seja isso que torna tudo tão difícil de aceitar: entender que duas pessoas podem viver a mesma relação de formas completamente diferentes. 
Enquanto eu ainda tentava salvar, você já estava indo embora fazia tempo. 
E eu fico tentando entender em que momento eu perdi você. Em que momento você decidiu que não queria mais lutar. Em que momento eu virei um peso tão grande que desaparecer pareceu mais leve do que ficar. 
Talvez você realmente ache que eu era impossível. Talvez ache que eu queria vencer discussões, controlar narrativas, ferir seu ego. Talvez você tenha criado uma versão minha na sua cabeça que eu mesma não reconheço. 
Mas eu queria tanto que você soubesse que, apesar de tudo… eu amei você de verdade. 
E talvez seja exatamente esse o problema. 
Porque agora eu tenho que aprender a conviver com a ausência de alguém que ainda habita todos os espaços dentro de mim. 
E eu queria muito encontrar paz.  
Mas como é que se encontra paz quando a pessoa ainda mora no primeiro pensamento do dia?

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