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Todos os dias entre nós (10/04/2026)

Fazem 2 domingos.
E todos os dias entre eles.
Parece uma eternidade e, ao mesmo tempo, parece que foi ontem.

Eu ainda sinto falta da nossa rotina.
Ainda não me adaptei aos dias sem você.
Ainda busco seu olhar. Seu riso.
Ainda espero sentir você respirando pelo meu corpo, percebendo cada nuance do meu cheiro, experimentando meu sabor.

É estranho como a ausência de alguém não ocupa só espaço.
Ocupa horário.
Ocupa hábito.
Ocupa partes inteiras da gente.

E eu fico me perguntando se isso passa.
Será que vai passar?
Será que eu vou esquecer?
E em que momento exatamente a dor deixa de ser presença constante e vira só lembrança?

Porque agora tudo ainda parece muito vivo.
Muito perto.
Muito aberto.

E eu quero tanto esquecer.
Quero tanto virar a página.
Quero tanto superar.

Mas talvez a pior parte não seja a saudade.
Talvez seja essa sensação de que o mundo continua funcionando normalmente enquanto, dentro da gente, alguma coisa ainda está caída no chão.

Sei que só o tempo.
E é engraçado como a gente começa a contar o tempo depois de certas dores.
Como se eu estivesse esperando um marco invisível.

Dois domingos…
Quatorze dias…
Um mês…
Três meses…

Como se, em algum número específico, a vida fosse me devolver o ar…

Mas sigo contando…
Porque quero estar atenta,
Quero compreender…
Quero sentir, ouvir, ver e tocar o momento exato em que vou perceber 
sem esforço…
sem anúncio…
vou olhar pra tudo isso… e finalmente saber:

acabou.

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