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Tumulto

"Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"
Trecho da música O Anjo Mais Velho - Teatro Mágico

A minha cabeça não anda boa. 

Tem dias que a coisa flui, tem dia que tudo trava. 

Tem dia que sinto que vou conseguir. Tem dia que não tenho força pra nada. 

O trabalho me cansa, pensar nos problemas me cansa, tentar solucionar as coisas me cansa. 

A velocidade e destreza que eu tinha antes estão me fazendo falta. Até falando eu sinto certa dificuldade. 

Eu estou há dias perdida com a organização do que preciso fazer, e de repente, hoje, achei no meu bloco de notas as anotações todas organizando a minha existência. Não lembro quando as fiz, como, nada. 

Só sei que elas estão lá. Quase que magicamente e resolvendo 99% dos meus problemas. 

Como a mente da gente pode pregar tantas peças assim, né?


Os últimos dias foram difíceis. De quarta até ontem eu chorei como se tudo tivesse acabado de acontecer novamente. Cai num fosso tão profundo de incertezas e medos, que não conseguia pensar em nada. Nada mesmo. Ficava revezando entre distrações e lágrimas. 100% focada nas perdas, em tudo que simplesmente não existe mais e nunca mais voltará a existir. 

É uma verdade, focar nas perdas, no que acabou, no que não é mais, faz doer mais. 

É fato também que as vezes a gente simplesmente não tem força pra sair do lugar onde está, não tem força sequer pra tirar a mente do vazio doloroso e sem perspectiva onde ela se enfia. 

E eu não vou aqui dizer pra ninguém ser forte. Lutar contra isso ou ensinar uma fórmula mágica para consertar o tudo que está quebrado porque nem eu consigo isso. 

Sinto minha alma devastada, quebrada em milhares de pedaços - o tempo todo. Basta uma pedrinha rolar e eu desabo completamente, como um enorme castelo de cartas que vai ao chão. Uma confusão de sentimentos que me enlouquece. Uma vontade imensa de seguir, uma tristeza imensa por seguir. Uma vontade imensa de continuar, uma tristeza imensa por ter que continuar. Tem horas que tenho certeza que vou recomeçar minha vida, sonhar novos sonhos e seguir forte como fênix. Outras vezes só consigo ver o lado direito da minha cama: vazio e frio. Sem som, sem sonhos, sem futuro. Só um presente solitário e duro. 

Então como posso ensinar alguma coisa pra alguém? Se essa estrada longa e tortuosa não se mostrou pra mim nem na metade ainda? 

O que posso dizer e que talvez esteja fazendo a diferença, é que eu quero ser feliz e quero continuar. Esse meu querer é que me faz brigar comigo mesma todos os dias exigindo de mim que eu tente, que eu faça, que eu busque alguma coisa. É esse meu querer estar com todos que amo e que aqui estão que me faz me incomodar comigo mesma quando estou prostrada, que me leva pra academia todos os dias pra me encher de endorfina, que me sacode para continuar trabalhando e imaginando novos sonhos e projetos. 

E eu percebo que quanto mais eu foco na ausência, que é enorme, um buraco imenso dentro e fora de mim, mais dói. Mais me dilacera e me machuca. Quando eu tento olhar em outras direções, fico mais firme e mais forte: na direção da minha filha, na direção do aqui e agora, na direção da fé, na direção dos familiares e amigos, na direção dos novos sonhos e projetos, na direção de todo um futuro que se aproxima e do qual nada sei, para o qual poucos planos fiz, e que muito ainda pode me surpreender.


Comentários

  1. tumulto... mas mesmo no meio do furacão vc achou uma.orientacao... de vc para vc e sabe-se lá de quando... mas ela estava lá. fato é que vc deve viver o que se sente. sem tampar, sem direcionar. viva o que se sente prima. Penso eu que deve ser um caminho. se um dia o sentir te colocar na cama, fique lá. No outro, levante e vá... viva o que se sente... ❤️🌷 te amo

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