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Eu quero encontrar: não vencer. (2025)

O amor, hoje, parece ter virado uma disputa de estratégias.

Quem conquista mais rápido, quem joga melhor, quem calcula o silêncio ou a ausência para manter o outro preso no laço. Como disse Byung-Chul Han, vivemos em uma sociedade da performance, até no amor: tudo precisa ser prova, resultado, vitória.

Mas eu não quero isso. Não quero manuais de conquista, nem joguinhos de poder.
Não quero ser convencida, nem convencer alguém pela insistência.
Porque o amor que nasce da disputa é frágil: ele cansa, ele cobra, ele pesa. Clarice Lispector já lembrava que “o que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta”, e é disso que falo: não quero um amor fabricado, quero um amor que existe por si, com precisão e entrega.

O que eu busco é diferente.
Eu quero encontrar: não vencer.
Quero aquele instante em que duas almas se reconhecem e tudo faz sentido, sem esforço, sem barganha, sem currículo de qualidades a apresentar. Roland Barthes dizia que “o enamorado espera”: e eu também espero, não por estratégia, mas porque sei que o encontro certo não se mede por tempo, mas por intensidade.

Amar, pra mim, não é convencimento. É salto no escuro com fome e vontade.
É se jogar sem a rede da razão, sabendo que pode doer, mas mesmo assim desejando. Como escreveu Drummond: “Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval.” Amor é isso: loucura lúcida, irracionalidade que dá sentido, caos que organiza.

O amor que eu espero não precisa me conquistar. Precisa me encontrar.
E quando isso acontecer, não haverá disputa, nem manual, nem cálculo.
Haverá reconhecimento.
Haverá aquele “ah, era você” — e só.

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